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Habilidades e Currículos 23/09/2009

Posted by gxexeo in Idéia, Quase filosofia.
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Enquanto nos preocupamos em criar currículos de referência, cursos com nomes padronizados e regulamentar a profissão, o mundo muda e oferece cada vez mais e mais variadas oportunidades de trabalho ligadas a Computação.

Convivendo diariamente em uma instituição de pós-graduação em Engenharia, ao meu redor vejo que grande parte dos trabalhos envolve, de uma forma direta ou indireta, o uso de computadores e a criação de aplicações específicas. Em outras áreas, como Educação e Medicina, apesar do efeito não ser tão grande, também é bastante relevante.

Isso me faz perguntar se estamos corretos em nos preocuparmos tanto com limitar o espectro do que é chamado de Computação. Criada entre 1940 e 1950, não possuindo 70 anos completos, a Computação ainda é uma mistura de Matemática, diferentes formas de Engenharia e muitas outras ciências. Tem a característica de ser aplicável em todas as áreas do conhecimento. E dia a dia, com o aparecimento de novas aplicações, fica claro que certamente ainda não entendemos todo o seu potencial.

Se somos constantemente surpreendidos por novas teorias ou aplicações, como imaginar que podemos limitar o escopo da pesquisa, trabalho e ensino na área?

Como exemplo podemos citar apenas duas novidades que apareceram nos últimos 10 anos: software para celulares e as redes sociais. Ainda não entendemos como aproveitar as oportunidades disponíveis, como desenvolver software para esses ambientes e qual o modelo econômico que podemos usar. Não é difícil imaginar umas três ou quatro cadeiras que poderiam ser criadas, em qualquer curso ligado a Computação, para cobrir esse espectro. Outras áreas inexploradas dos nossos cursos são tratamento de enormes quantidades de dados, TV interativa, sistemas ubíquos e, o que mais me preocupa, a próxima onda.

O que proponho é a troca do currículo mínimo referencial para um estudo das habilidades relacionadas a Computação e, a partir dessas habilidades, uma tabela de referência com assuntos e bibliografias. Um conjunto dessas habilidades formariam o núcleo de habilidades computacionais, que seria apenas fortemente sugeridas para qualquer curso que quisesse se dispor a ser certificado pela SBC.

Como exemplo, vou propor uma habilidade núcleo: a capacidade de manipular funções. Essa habilidade pode ser criada de várias formas: o estudo matemático de funções, o estudo de linguagens funcionais,  o estudo de formas específicas de entender funções (como o cálculo lambda). Definir previamente a forma, em um currículo, sem antes determinar as habilidades, provoca cursos padronizados, por isso iguais e incapazes de demonstrar a variedade da Computação.

Não por acaso, existem estudos sobre o assunto de como descrever o conhecimento das pessoas. Pierre-Levy e Michel Authier propuseram o conceito de Árvore do Conhecimento, onde conhecimentos específicos são representados por Patentes e um conjunto de Patentes forma o Brasão das pessoas. Já aqui na COPPE trabalhamos com conceitos como Objetos do Conhecimento e Cadeias de Conhecimento.

Em um momento em que todos querem repensar a Universidade, devemos questionar não só as bandeiras que decoram nossos castelos, mas a própria fundação dos mesmos.

Criar cursos mais flexíveis, baseados no conceito de Habilidades (ou Competências)  pode ser o caminho da inovação e criatividade tão desejados nesse país.

We choose to go to the moon… 29/07/2009

Posted by gxexeo in Quase filosofia.
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Eu distribuo um Guia Pragmático para Orientados, que começa com a seguinte citação, tirada do discurso de John Kennedy na Rice University em 12 de setembro de 1962:

“…We choose to go to the moon.

We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard, because that goal will serve to organize and measure the best of our energies and skills, because that challenge is one that we are willing to accept, one we are unwilling to postpone, and one which we intend to win, and the others, too. …”

Esse discurso é a inspiração que precisamos: aceitar o desafio e não adiá-lo.  É apenas um pedaço de um discurso considerado um dos melhores da história. Compare-o com a frase de Winston Churchill citada pelo professor Palazzo: I have nothing to offer but blood, toil, tears, and sweat” . Ambos foram discursos inspiradores. Ambos escolheram o trabalho.

Sempre me pergunto se aqueles que estão fazendo doutorado e mestrado sob minha orientação, ou que estão na sendo examinados em uma banca, escolheram “ir para a Lua”. Muitas vezes a resposta, infelizmente é que não escolheram. Ao contrário, escolheram ficar em terra.

Felizmente, o inverso também é verdade. Muitos escolhem “ir para a Lua”, não porque é fácil, mas justamente porque é difícil. Ou, como acaba o discurso de Kennedy “Because it is there”.

Pautar a vida profissional pelo desafio, tanto na academia quanto na indústria. Mirar “a Lua”, pois ela está lá. Alguns conselhos que eu tenho dar a mim mesmo volta e meia.