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O Governo quer menos alunos na pós-graduação do país? 10/04/2012

Posted by gxexeo in Opinião.
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Desde o fim do (des)governo Collor, a pós-graduação brasileira vem melhorando passo a passo. Saímos da penúria para uma razoável distribuição de recursos, como bolsas e projetos. Um projeto específico, o site Periódicos da CAPES, é um marco na disponibilização desses recursos de forma ampla e econômica. Existem problemas, mas são conhecidos e podem ser resolvidos.

Duas iniciativas recentes, porém, demonstram uma falta de contato da “alta administração” da pós-graduação brasileira com as necessidades da mesma e ameaçam esse crescimento.

O primeiro é o projeto “Ciência sem Fronteiras”. Criado como a solução para um problema que não existe, ele incentiva os melhores alunos a fazer cursos no exterior, mesmo quando está claro que existem cursos de qualidade equivalente no Brasil. É um projeto tão “interessante” que não paramos de receber, na Universidade, visitas de delegações estrangeiras atrás de nossos alunos. Eles agora podem “minerar” nossos melhores talentos já na graduação.

O segundo é o novo limite de 8 orientados por orientador imposto pela CAPES em portaria. Não só me surpreende a decisão por um número mágico, como me surpreende que a CAPES não entenda que enquanto alguns orientadores fazem um trabalho 1 a 1 e têm poucos orientados, outros criam estruturas de trabalho que só funcionam com muitos orientados, sendo que 8, nesse caso, é um limite baixíssimo. Certos assuntos precisam ser tratados em “massa”, em “equipe” e agora estão “proibidos” no sistema.

Enquanto o primeiro incentiva o aluno ir para o exterior, o segundo proíbe que aceitemos mais alunos. A manutenção de ambos implicará em menos alunos no Brasil, e não mais alunos, que é o esperado de qualquer política nacional de pós-graduação.

Ambos apareceram repentinamente, foram criados do nada, sem consulta a comunidade, sem perguntar para aqueles que sabem o que é necessário a sua opinião. Ambos surpreenderam todas os Programas de Pós-Graduação. Indicam uma direção impositiva político/administrativa que não é razoável no contexto científico/pedagógico. Burocrata não sabe fazer ciência.

Assim, acha que é melhor formar nosso aluno no exterior e sonha com sua volta, cuja probabilidade é inversamente proporcional a sua competência.

Ainda não foi a pá de cal, mas estamos assustados. Somando a tudo o valor irrisório das bolsas no Brasil e a defasagem do salário do professor, a previsão é desanimadora. Será que ainda podemos reverter esse quadro?

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