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Estamos ficando ultrapassados 24/10/2009

Posted by gxexeo in Idéia, Opinião.
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Estamos preparando nossos alunos de acordo com um paradigma ultrapassado.

  • Pensamos em computadores e algoritmos, PORÉM nossos egressos trabalham com pessoas e processos.
  • Pensamos em preparar pessoas especializadas capazes de aplicações com se detivessem um segredo do universo, programadores míticos, PORÉM qualquer um pode gerar aplicações, basta um pouco de vontade, uma planilha eletrônica ou outros super-meta-aplicativos fáceis de usar, como o Access.
  • Pensamos em bases de dados controladas, modelos de dados construídos, PORÉM os dados estão descontrolados, são criados de qualquer forma em qualquer lugar. Nas empresas, as planilhas se transformaram no padrão de fato de manipulação de dados. Na Web, nem entendemos o que está acontecendo.
  • Pensamos em linguagens de programação do tipo bondage and discipline, PORÉM linguagens libertárias, como Python e Ruby nos provam que podemos ser mais produtivos de forma totalmente diferente.
  • Pensamos em infra-estruturas locais, PORÉM a cada dia a opção “em nuvem” se torna mais economicamente viável e segura.
  • Pensamos em equipes de trabalho pré-organizadas, PORÉM o desenvolvimento de software livre e mesmo nas empresas é cada vez mais auto-organizado.
  • Ensinamos programação em ponto pequeno, PORÉM o verdadeiro problema são os sistemas emergentes que estamos criando.
  • Ensinamos exaustivamente a manipulação de estruturas básicas, PORÉM as ferramentas para manipulá-las estão desenvolvidas e são oferecidas de graça em todas as linguagens modernas, em implementações eficientes. Quando e por que usá-las é o verdadeiro problema.
  • Nosso mundo exige profissionais e pesquisadores “contextualizados”, “personalizados”e “flexíveis” e capazes de trabalhar em ampla gama de tarefas PORÉM uma das nossas principais bandeiras é um currículo padronizado e profissões bem definidas.

Como preparar o profissional de Computação, seja Ciência, Engenharia ou Sistemas de Informação, para interagir com usuários, externos e internos, capazes de gerar quantidades imensas de conteúdo e também de aplicações? Como preparar outros profissionais com a quantidade de exata da Computação que eles precisam?

Como preparar nossos alunos para viver em um mundo onde mudanças paradigmáticas acontecem periodicamente, por causa de poucas pessoas ou empresas? Web, Amazon, Ebay, Google, Facebook, iPhone, Wii, Twitter, Cloud Computing, GoogleDocs, YouTube, Blogs, Wikipedia, PayPal, Google Wave, etc. A cada aplicação, um novo mundo para entender.

Não quero dizer que tudo que fazemos está totalmente errado, mas vejo uma grande semelhança em todas as denominações que damos aos nossos cursos. Vejo  currículos que não fornecem estas respostas, ou melhor, não fornecem nenhuma resposta a pergunta “Porque ensinamos assim”.

Está na hora da Computação estudar a si mesma para poder se entender melhor e, pelo menos, preparar uma postura em relação ao futuro.

Está na hora de currículos mais justificados, baseados em competências, com grande liberdade de escolha para os alunos e permitindo o estudo de outras áreas de conhecimento.

Aliás, ao contrário do que muitos acreditam, um currículo de referência pode ser uma solução errada para a pergunta errada. Estamos em um novo mundo onde a contextualização e a personalização vão dominar. Currículos padronizados não atendem esse novo mundo.

Ao contrário de criar currículos extensos, como o da própria SBC, deveríamos criar patentes, uma variedade delas, que permitissem a cada aluno construir sua  árvore do conhecimento.

Ao invés de padronizar cursos, deveríamos incentivar a inovação e a busca de alternativas. Repetimos o mesmo curso em cada Universidade e nossos alunos tornam-se cópias de cópias de cópias de clones. Todos com os mesmos defeitos e qualidades.

A sensação é que, na ânsia de nos tornarmos uma “ciência séria” estamos nos conformando ao modelo atual e ultrapassado da família física-química-engenharia-matemática e ainda direito-medicina em vez de assumir que a Computação já definiu um novo mundo e que tem que criar uma nova forma de fazer ciência.

Pensamos na Universidade como uma máquina fordistataylorista e o mundo é just-in-time, customizado, globalizado. Pensamos em médias, mas a inovação está na cauda longa.

Leitura recomendada:

Socialnomics, The World is Flat, The Long Tail, Inteligência Coletiva, Tecnologias da Inteligência,

Comentários»

1. Jaguaraci Silva - 24/10/2009

Prof. Xexéu.

Concordo plenamente. É preciso criar uma nova forma de ensino mais próximo do pessoal. Poderia haver uma grade básica e outra opcional como na pós-graduação.

2. Marcelo Savio - 24/10/2009

Xexéo,

Concordo com você. Eu não sei a resposta, mas certamente ela não passa pela padronização da profissão ou dos cursos de formação.

Estou no mercado há 20 anos e percebo que, especialmente nesse século, está cada vez maior a exigência de profissionais que não se limitam aos aspectos puramente técnicos da profissão;

Conceitos ligados ao comportamento humano como capacidade de comunicação, negociação, trabalho em equipe, adaptabilidade, responsabilidade, diversidade (em todos os sentidos) e o conhecimento dos segmentos de negócios no qual estejam inseridos (processos, tendências, desafios) e o domínio de outros idiomas (inglês, espanhol, mandarim…) determinam a curva que separa os profissionais regulares dos excelentes; e o crescimento na carreira estará ligado, entre outras coisas, à pluralidade de suas habilidades e a forma como cada componente se combina.

Precisamos motivar os alunos a serem curiosos, movidos pelo interesse constante na descoberta, que pensem na solução de problemas, que corram riscos e quebrem paradigmas. Que transformem a curiosidade em conhecimento; Que sejam autodidatas mas que também saibam que o conhecimento é algo “perecível” ( e os prazos de validade estão cada vez menores);

A percepção geral é que os sistemas e os profissionais de TI se “engessaram”. E o mundo segue em tranformação. Então estamos precisando de um “sacode” , Mas acontece que o peixe não enxerga a água – precisa de uma perspectiva diferente para isso…

3. Allan Edgard Silva Freitas - 25/10/2009

Oi Xexeo,

Uma coisa que me ocorreu mas ainda não sei a resposta é que ensinamos na sequencia: aprenda a programar, aprenda as estruturas, aprenda banco, faça a análise e o projeto, mas no mercado o fluxo é o oposto.Você conhece alguma experiência de curriculum que siga o caminho oposto?

Computação é sobre abstrações. Eu acho que a gente abstrai muito pouco no começo e no final que a pessoa já entenderia tudo a gente trabalha muito mais abstrato. Que achas disso?

gxexeo - 25/10/2009

Bem pensado. Basicamente ensinamos primeiro o detalhe para depois ensinar a visão completa.
Isso vem do pensamento matemático, da construção por meio de peças já existentes.
Existem cursos de modelagem que poderiam vir muito antes, como Teoria Geral de Sistemas ou até mesmo System Dynamics.
também à a vontade de atender ao aluno que quer programar.
Usando palavras bonitas: aplicamos uma visão reducionista.

Adolfo Neto - 26/10/2009

Aqui na UTFPR, no nosso novo curso de Bacharelado em Sistemas da Informação, os alunos vêem Teoria Geral de Sistemas já no primeiro período.

E os alunos, já no primeiro período, têm que desenvolver um sistema especificando (formalmente inclusive), projetando e implementando.

Ver

http://www.dainf.ct.utfpr.edu.br/wiki/index.php/Bacharelado_em_Sistemas_de_Informa%C3%A7%C3%A3o#Primeiro_Per.C3.ADodo

e

http://www.dainf.ct.utfpr.edu.br/wiki/index.php/Projeto_Integrado_do_Primeiro_Per%C3%ADodo_do_Bacharelado_em_Sistemas_de_Informa%C3%A7%C3%A3o

gxexeo - 26/10/2009

Interessante, principalmente porque vocês se diferenciam e vejo isso como uma grande vantagem.

4. Jaguaraci Silva - 25/10/2009

Mesmo para alguém que está na universidade o primeiro degrau é a programação. Hoje as empresas estabelecem processos e métodos para medição de estimativas de custo e esforço, por isso outras ferramentas são obrigatórias além do conhecimento de uma linguagem de programação.

A idéia é que a formação acompanhe a evolução da carreira. Esse conhecimento não pode ser separado e muitas vezes estão no início, no meio e final do curso. Podemos repensar uma maneira de passar esse conhecimento aos poucos de maneira top-down.

Por exemplo: um aluno no início da profissão, irá interpretar diagramas UML, construir consultas SQL a partir de MERs e trabalhar na evolução de algum sistema com uma linguagem de programação. Precisa também conhecer o contexto do seu trabalho no processo da empresa. A introdução ao reuso, o que é eng. de software e como resolver os problemas usando paradigmas completam o perfil.

Disciplinas de cálculo deveriam ser deixadas para o meio do curso, porque muitos alunos não tem ainda a visão prática. O conhecimento sobre engenharia de software devia ser gradual até alcançar arquitetura, padrões de projeto, etc. É o que acontece hoje no mercado.

5. Eduardo - 25/10/2009

Acredito muito na metodologia atual que, na maioria dos casos, forma pessoas críticas. Tal criticidade faz com que essas pessoas utilizem as tecnologias de forma diferente mas sempre em seu benefício. Ainda são capazes de encontrar e expandir as limitações da tecnologia.
Acredito que uma formação diferente proporcionaria dois grupos: Um menor formado por grandes empresas lançando novas tecnologias. Outro formado pelas pessoas que aceitam a tecnologia e as novidades simplesmente da forma como elas são.

6. explorer12 - 25/10/2009

Gostei da frase no topo do site traduzindo: “Escolhemos ir à Lua nesta década e fazer outras coisas, não porque elas são fáceis, mas porque elas são difíceis”.

7. Bruno Shoiti Natsumeda - 25/10/2009

Concordo também. Atualmente, estou cursando Ciências da Computação na UFSCar. Embora o curso seja ótimo, mesmo aqui existe essa padronização, levando muitos alunos que ingressam no curso e que sabem muitas linguagens de programação relativamente avançadas a ter que “aprender” tudo novamente, desde a linguagem C. Esse tempo que poderia ser usado para aprimorar seus conhecimentos está sendo posto de lado e substituído pela necessidade de padronização curricular.

O fato engraçado é exatamente o que foi dito no artigo: vários dos alunos que saem para o mercado de trabalho não terão que programar integralmente, mas terão que aprender a gerenciar e liderar equipes, atributos que raramente são ensinados nesses cursos (e em muitos outros poucos além de cursos de Administração) e que, infelizmente, não é característica da maior parte dos alunos de Ciências ou Engenharia da computação ou Sistemas de Informação.

Muitos alunos, diante de várias notas vermelhas em algumas matérias preferem trancá-las e tentar novamente no semestre seguinte já que não tem tanto interesse pela matéria; não que ela seja chata, mas não há estímulo para investigar e pesquisar em várias delas. Aulas maçantes e sem interação aluno-aluno e aluno-professor comprometem o aprendizado e o futuro profissional desses alunos que estarão no mercado daqui a alguns anos.

8. Alexandre Ribeiro - 25/10/2009

Questões interessantes, vale a pena refletir sobre que profissioal(is) queremos e qual o seu campo de atuação!
Sugiro pensar também em quem são os nossos atuais alunos: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2625762&sid=89101285111330278305375439&k5=41E29B3&uid=
[]s

9. Hylson - 25/10/2009

Ensinar cálculo na computação parece mesmo uma tarefa difícil, pois geralmente é apresentada sem a aplicação na computação, pois é ministrada por um professor da matemática pura. Concordo com a idéia de deixá-la mais pra adiante, quando o aluno já está mais maduro na informática e poderá questionar e entender o porquê da matemática, e em que momento ela é importante.

Um currículo básico parece ser importante, para usar como referência do que se espera (em geral) que um estudante aprenda. A flexibilidade proporcionada pelas optativas complementam a formação.

O que precisaria também é que o professor lá da disciplina do ano de 1900 fosse atualizado, ou seja, use programas, faça aulas em laboratório, tenha site na internet.

Um abraço!!

10. Diogo Kamioka - 25/10/2009

Não concordo na íntegra. Mas concordo que é uma idéia e uma tendência que devemos nos adaptar.

Acredito que o foco de uma instituição acadêmica, é fomentar a base da pirâmide educacional (na verdade, nem tão base, mas enfim…) e não somente o mercado. Lógico que ambos estão intimamente ligados, entretanto não devemos deixar que um tome as rédeas do outro.

Ou seja, ao meu ver, certas disciplianas e currículos devem ser mantidos, talvez com alguma mudança na didática (uma tremenda mudança, no meu ponto de vista, para que o aluno reconheça a aplicação do conhecimento e consequentemente se interesse cada vez mais) e talvez com uma adoção de uma nova matéria/disciplina. Uma que ensine o aluno a pensar por si próprio. Adequação, adaptação e contextualização.

Afinal, realmente acredito que os cursos de Ciencia da Computação devem sempre estar na vanguarda do conhecimento/tecnologia mas sem esquecer suas bases.

Não é porque existem pilhas, filas, e tantas outras mais ED`s e Algoritmos prontos que o aluno não precisa saber como funcionam. Concordo que deve saber aplicá-las, mas tão importante quanto saber como funcionam.

Abraços,
DK.

11. Luiz Ernesto Merkle - 25/10/2009

Xexéo,
Sugiro uma olhada no livro de Fernando Hernández, ” Catadores da Cultura Visual: proposta para uma nova narrativa visual”. Editora Mediação, 2007. Este autor espanhol é muito lúcido em sua crítica a forma hegemonica de estruturar a Escola.

Movimentos como este, que vem do campos das artes, podem quiçá servir de fagulha para uma revisão mais profunda de onde se dá a computação, e de como educar da e para a informatização, em um espectro que vai de suas abstrações formais, passa pela computerização de vários domínios, modula a exclusão digital, e e contribui com muito lixo eletrônico de modo extensivo. Nossas teorias ainda falam apenas de computadores, mas precisariam dar conta de suas implicações, interesses, e desdobramentos e consequências, positivos e negativos.

Abraços,
merkle

12. JJ - 26/10/2009

“qualquer um pode gerar aplicações, basta um pouco de vontade, uma planilha eletrônica ou outros super-meta-aplicativos fáceis de usar, como o Access.”

Vc precisa sai mais do mundo acadêmico!

gxexeo - 26/10/2009

Caro jjlucas,

Agora você se enganou. Eu passo boa parte do meu tempo envolvido com problemas reais, em empresas reais.

Talvez você precise olhar nas mesas dos seus clientes e ver quantas planilhas eles usam. Não sei se isso é bom ou é ruim, mas sei que é um fato.

E aí, qual sua experiência no mundo real?

13. geminilibre - 26/10/2009

Ow, que tal começar lendo sobre “Anarquismo Epistemológico”, talvez possa ajudar na reformulação do ensino de computação de Paul Feyerabend.😀

14. geminilibre - 26/10/2009

Digo, me corrigindo, o anarquismo epistemológico é de Paul Feyerbend.😀. Evitando ambiguidade.

15. João Luís Tavares - 26/10/2009

Estamos vivendo uma verdadeira revolução “digital” em um ritmo cada vez mais alucinante. Estamos nos encaminhando para uma consciência quase única formada por consciências conectadas. Cada um de nós, graças à “nuvem” torna-se um especialista instantâneo. A necessidade nos leva ao ciberespaço em busca de respostas (existem milhões) à perguntas cada vez mais específicas (existem menos). Penso que o método de aprender está sofrendo uma transformação radical e não podemos mais pensar que existem salas fechadas por 4 paredes. Nossa necessidade é prática, dinâmica e pouco perene, mas não nossos currículos. A sala de aula é o próprio mundo e nossa mente é a sala de “chat” povoada por vários usuários conectados. O professor deveria “mediar” este mundo e dirigir alguns problemas em direção às mentes, e não o inverso.

Tudo para dizer que concordo com o Xexéu e a sofisticação de nossos currículos deve permear o rumo que as mentes conectadas estão tomando.

16. Vinícius R. T. Ferraz - 26/10/2009

Outro dia vi um vídeo de uma palestra interessante. Ele fala sobre como as escolas em geral matam a criatividade das pessoas ao tentar manter uma estrutura de ensino e pensamento que visa, quase sempre, a formação de cientistas e professores universitários. Em outras palavras, os sistemas de ensino em geral não levam em conta a diversidade de competências, apenas premia aqueles que obtiverem melhor desempenho em assimilar e processar informações.

17. Torsten Nelson - 27/10/2009

Vejo muitas críticas ao ensino de computação, tanto partindo da indústria quando auto-críticas como a sua, que está muito bem escrita, mas não vejo propostas concretas de solução. Sempre se volta aos velhos esquemas, talvez não por rigidez mas porque na verdade os velhos esquemas são os certos.

Trabalho na indústria com vários recém-egressos das grandes universidades brasileiras e percebo que chegam com a bagagem que gostaria que chegassem: conhecem os algoritmos e estruturas de dados, sabem conversar inteligentemente sobre métodos de desenvolvimento, não implementam recursões exponenciais por engano.

Claro que não sabem trabalhar em grupo, nunca fizeram revisões de código e nem seguiram na prática um processo. Não espero isso deles. O primeiro ano de um recém-formado na indústria é como o período de residência de um médico: a chance de cometer erros em um ambiente controlado e aprender como as coisas realmente funcionam. Só que sem a base dada pela universidade, isso não seria possível.

Eu não sei propor uma alternativa viável ao que temos hoje. Alguém sabe? Me motivei a escrever mais sobre o assunto em meu blog:

http://micosderealejo.blogspot.com/2009/10/do-desencontro-entre-universidade-e.html

18. AmBAr Amarelo - 27/10/2009

Fantástico!!!
depois de vários copos de café me deparo com esse texto, e ,ainda meio zonzo por conta do café, lembro-me de escolher fazer ciência justamente por não aguentar a forma “quadrada” que a industria de software (e demais industrias em geral) tem de resolver os problemas.

na verdade eu não suporto mais os problemas chatos que a industria do software corporativo se propõe a resolver!

Não quero fazer cadastro de coisas em banco de dados nem construir relatórios.

Quero fazer coisas legais que envolvem inteligencia artificial, computação distribuída, network programming e demais coisas afins.
Quero poder usar a linguagem que EU sentir vontade de usar e ter total liberdade para fazer do jeito que EU achar melhor.

o único lugar onde encontrei problemas interessantes e essa liberdade toda foi em problemas científicos que envolvem BIOLOGIA + COMPUTAÇÃO.

Então: XAUUUU mundo do software corporativo e toda aquela decoreba chata da engenharia de software (sim são coisas importantes, mas puts chato heim?).

19. Alessandro - 28/10/2009

Cuidado com algumas afirmações como essa: “em nuvem” se torna mais economicamente viável e segura”. Não é isso que temos visto.

Vê se alguém consegue ingressa em algumas das empresas que você citou apenas sabendo quando aplicar determinada estrutura de dados. Por isso, é importante apresentar quando e como implementar as estruturas de dados. A interdisciplinaridade é importante, mas isso não significa que algumas etapas/disciplinas possam ser “eliminadas”.

gxexeo - 28/10/2009

“em nuvem” se torna mais economicamente viável e segura” é exatamente o que temos visto, ou não? Quanto era possível no passado nesse tipo de desenvolvimento e quanto é possível hoje? O fato de ainda existirem problemas não significa que não está melhorando. Eu estou me baseando no acompanhamento diário do progresso dessas tecnologias, como no uso de Grids na pesquisa científica, de “nuvens privadas” por empresas como a Google e de “nuvens reais” oferecidas por empresas como a Amazon e plenamente utilizáveis para dezenas de aplicações. Fora a incrível quantidade de serviço altamente seguro de hosting, a preços muito baixos. Tudo isso configura uma “nuvem” cada vez mais viável e segura em um sentido amplo.

Quanto a importância das estruturas de dados, elas são importantes. Porém elas são mais importantes quando utilizadas, e isso é esquecido, enquanto focamos em miríades de árvores de menor importância para o ensino básico. Não falei em eliminadas, apenas apontei uma ausência de prioridades.

O principal é que formatando todos os cursos da mesma maneira (Ciência da Computação) não atendemos diversas facetas da carreira, mas isso é outra discussão que puxarei mais tarde.

20. Alex - 28/10/2009

Prof. Creio que falte aplicação prática aos cursos. Quantas vezes o “mundo real” contradiz o que aprendemos como “regras de ouro” na faculdade?
Dividir o curso entre matérias comuns (lógica, matemática etc) e “especializações” (programação, banco de dados, infra/redes etc) talvez fosse uma solução. Juntar todos esses “especialistas” para desenvolver um projeto, de cabo a rabo, com professores atuando como clientes, gerentes de projeto, coordenadores seria a cereja do bolo, na minha opinião.

21. Twitted by RenatoLula - 28/10/2009

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22. fduncan - 28/10/2009

Concordo que as propostas do professor são válidas e precisam ser mescladas com o que temos hoje, mas não vejo mudanças radicais no currículo e sim na maneira de aplicá-lo. Precisamos manter o conhecimento de baixo nível, estruturas de dados, trocas de contexto, contador de programa, ponteiros, além dos processos de desenvolvimento, bancos de dados e da matemática, não consigo ver currículos sem isto. A todo momento temos exemplos destas necessidades dentro do nosso núcleo de pesquisa (fazemos pesquisa e desenvolvemos para o mercado).
O maior problema é a não atualização do conteúdo apresentado dentro destes currículos.
Por exemplo,de qualquer maneira temos que ensinar a matéria de programação, então vamos retirar o Pascal ou o C e começar com o Python, em processos de desenvolvimento vamos falar mais do ágil, em estruturas de dados vamos continuar com C mas podemos fazer a turma lembrar como era simples em Pyhton, mas com o C que ele resolverá problemas de desempenho e entenderá como as estruturas funcionam.
Penso que é por aí…

23. Vanderson Mota - 28/10/2009

A própria indústria já ultrapassou a academia nas disciplinas de desenvolvimento de software há tempos, pois técnicas como Test-Driven Development, Behaviour-Driven Develoment, Design Emergente, Refatoração e metodologias de desenvolvimento como Extreme Programming surgiram no seio da própria indústria de software.

Jaguaraci Silva - 04/11/2009

Não creio que essas metodologias partiram da indústria, desde 1980 Booch, Gama e uma turma de design começaram uma revolução.

Rogerio Atem - 15/11/2009

E quem ensina isso há tempos na academia brasileira?
O pessoal está agarrado, em sua grande maioria, em MDD, na minha opinião – que tomo a liberdade de ser um pouco cínica – porque parece mais complexo e assim gera mais pesquisa e mais artigos. Além do que, é mais bonitinho. Mais ainda, programar é visto como coisa de quem está em início de carreira e portanto não se aplica a professores pesquisadores.
Conheço os dois mundos e acho que pelo menos aqui no Brasil as comunidades estão a frente dos acadêmicos, que nessa área, em sua maioria, geram coisas que ninguém usa. Conheço projetos financiados há anos que até hoje nunca foram usados de verdade…

gxexeo - 15/11/2009

Bem, lá fora também é assim. Quantas ferramentas já foram propostas e apresentadas e nunca chegaram a ser usadas nem mesmo em suas universidades? O que tenho a dizer é que é muito difícil transformar pesquisa em produto. Eu oriento alunos que desenvolvem um ambiente P2P e o resultado é que não conseguimos uma versão estável para “colocar para o mundo”, apesar de já termos usado ela em muitos projetos e algumas teses. Mas, na verdade, os produtos que ficam prontos na indústria são cheios de defeitos e muitos são jogados fora. Ou precisam de “analistas grampeados”, como diz uma amigo meu.

24. Leandro - 28/10/2009

Elaiá…

Para ver onde estamos posicionados em relação ao resto do mundo, basta apenas contarmos quantas das ferramentas que utilizamos são desenvolvidas no Brasil.

O auge da felicidade do brasileiro é quando ele coloca no bolso a sua carteira de trabalho recém assinada. E se for para o serviço público, então, faz até um churras. O ensino formal prepara as pessoas para fazer exatamente isso. Porque é o que elas querem, na maioria.

Esse país vem ao longo dos anos construindo uma imensa ladeira no que diz respeito à tecnologia (de qualquer tipo) e estamos no momento “curtindo a adrenalina” de rolar por ela abaixo.

E como não posso deixar de ser dramático🙂, mais ou menos na metade dessa ladeira existe uma árvore. Talvez a única em toda uma geração. Alguns de nós até conseguem segurar-se mais ou menos nela para tentar subir novamente. Mas, então, surge o governo com um machado contendo “PLS 607/07” entalhado em seu cabo, e ameaça cortar a árvore.

25. Brunno Giordano Mello - 28/10/2009

Para resolver tudo isso basta que o curso desenvolva a inteligência. Desta forma, todas as transformações serão facilmente absorvidas.
Fazer pensar, e além disso pensar rápido e correto é a chave do sucesso.
Já existem universidades atuando desta forma, e é bastante notável a diferença do egresso desta metodologia para os de outras faculdades.

gxexeo - 28/10/2009

Caro Brunno: Por favor me mostre UM curso não padrão no Brasil. Não estou brincando ou implicando, quero conhecer e usar de exemplo.
Se for fora está bom também, mas tem que ser fora do padrão deles.

Rogerio Atem - 15/11/2009

Caro Xexeo,

como ter qq coisa inovadora quando o sistema de avaliação prega que só o que é “seguramente estabelecido” deve ser adotado? Vide o Qualis e o método de avaliação da pós no Brasil. Não sou contra avaliação, pelo contrário, acho vital, mas sou contra regras que sufocação a inovação.

Abraço,

gxexeo - 15/11/2009

Concordo plenamente. Não só o sistema de avaliação é conservador, mas os avaliadores, principalmente os do INEP (que avaliam a graduação) são mais conservadores ainda, procurando conformidade no lugar de inovação.

26. ab - 30/10/2009

Olá xexeo,

pelo que eu entendi do texto voce defende que os cursos de computação não criam profissionais preparados para o mercado e por isso devem focar mais no que o mercado precisa.
Mas isso não é feito quando se ensina as maneiras de criar as ferramentas ao inves de apenas utiliza-las? Vamos manipular as estruturas de dados sem conhecer como elas funcionam internamente? Vamos aprender python e ruby ao inves de estudar Compiladores (e entender ou mesmo criar nossas proprias linguagens?) e o frisson cloud computing? não é um conceito novo, mas sim muito do que já vimos antes Sistemas Distribuidos?
Um dia desses li uma materia na wired falando sobre a falta de incentivo a pesquisa, hoje em dia o mercado força os investimentos tecnologicos pensando no que vai acontecer amanha e esse tipo de coisa dificilmente vai gerar algo de grande impacto no futuro. Por exemplo, o Bell Labs trabalhava com tecnologia wireless nos anos 60 (o que rendeu um nobel pra eles), o que seria o mundo de hoje sem celulares, redes sem fio, etc?
Ou mesmo o que seria do Google hoje em dia sem as pesquisas sobre roteamento da Cisco?
A ciência básica é o que revoluciona o mundo, e cria estrtutura para milhares de empregos e investimentos, não as ferramentas. Não o Python, o Java ou o mais novo banco de dados da moda.
A unica coisa que eu concordo é que realmente padronização do curso é ruim, mas isso não acontece só com cursos ou curriculos. Qualquer padronização no geral é algo ruim porque inibe a criação. Bom.. tente implementar um SO hoje e voce vai perceber que 90% do seu trabalho vai ser implementação de padroes que tem que seguir. Sobra pouco pra inovar.

gxexeo - 30/10/2009

Oi,
Não era bem o que eu estava querendo dizer.
Estava querendo dizer que estamos com currículos desatualizados e com um método de ensino desatualizado.
E estava querendo dizer que padronizar currículos e nomes de profissão engessa algo que cresce por que é variado.
Mas também acho que atendemos pouco o mercado, porém não sei se devemos atendê-lo.
Mas veja o nome do blog. O que quero é provocar discussão, não quero estar certo nem errado.

Quanto ao exemplo especifico das estruturas de dados, eu vejo um grande defeito na maioria dos cursos: não há ligação entre a fase “teórica” e a fase “prática” do curso. Os alunos não sabem por que aprendem e depois continuam sem saber por que aprenderam. Eles sabem que pilhas existem e como funcionam, mas não tem a menor idéia de quando usar.

Xexéo

27. A arte de desenvolver « Maurício Szabo - 02/03/2010
28. Ascenção e Queda de Scrum « Maurício Szabo - 12/04/2010

[…] inclusive possui geradores de código) e adotar uma metodologia tradicional. Artigos também com o do professor Xexéo, da UFRJ, auxiliaram a mostrar que existe uma frente acadêmica que abraça mudanças (já escrevi em posts […]


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