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Opinião sobre a regulamentação com exclusividade 20/08/2009

Posted by gxexeo in Opinião.
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Seguem alguns comentários sobre o parecer aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado  que “…dispõe sobre a regulamentação da profissão de Analista de Sistemas e suas correlatas…”

A única questão importante é o parágrafo único do artigo 4º , todo o resto, confesso, é de pouca relevância: “É privativa do Analista de Sistemas a responsabilidade técnica por projetos e sistemas para processamento de dados, informática e automação, assim como a emissão de laudos, relatórios ou pareceres técnicos.”

Nos próximos parágrafos vou dizer por que essa exclusividade  é ruim, no sentido de prejudicar a sociedade e até mesmo os futuros analistas de sistemas.

A visão cartorial brasileira confunde diploma com competência. O diploma é um certificado que você acabou um curso. Para quais trabalhos um recém formado em qualquer curso de graduação em Informática seria contratado? O mais comum é o de programador. Simplesmente porque um recém formado é incompetente para ter a responsabilidade técnica por um projeto ou sistema. Mas a lei permitirá que sejam, e que só os possuidores do diploma sejam. Isso é prejudicial a sociedade.

Além disso, a lei da exclusividade da responsabilidade técnica para os Analistas de Sistemas. Ora sistemas de processamento de dados, informática ou automação são, em sua grande maioria, desenvolvidos para outras áreas de aplicação que não a informática. Suas principais características não são os laços e decisões, os módulos ou componentes, os modelos e os programas. Sua principais características são os conhecimentos dos domínios de aplicação. Segundo a lei, o único responsável técnica, por imposição da exclusividade imposta, será o Analista de Sistemas. Ou seja, ele será responsável, inclusive perante a justiça, pelo conhecimento fornecido por outras pessoas. Isso é prejudicial ao Analista de Sistemas.

A informática não é uma profissão fim, mas sim aplicada, um meio pelo qual alcançamos, ou tentamos alcançar, os fins característicos de outras profissões. Fazemos sistemas para auxiliar médicos, engenheiros, administradores, políticos, contadores. Esses sistemas devem ser construídos por equipes multidisciplinares. Dar exclusividade da responsabilidade técnica supõe super-poderes do analista. Confiante demais na sua superioridade garantida pela lei, os novos Analistas de Sistemas ficaram em posição incompatível com a necessidade de servir seus clientes. Isso é prejudicial a sociedade.

A lei também generaliza os poderes que dá a qualquer formado. Quantos receberam a formação para fazer simultaneamente sistemas de informação e sistemas de automação?  A lei torna igual o que não é igual e infere competências que talvez não tenham sido desenvolvidas pelos profissionais. Isso é prejudicial a sociedade.

Aprendi com a Prof. Claudia Bauzer Medeiros que manipular a informação, e é isso que fazemos, é um direito de todos. Dar qualquer exclusividade sobre a capacidade de produzir, manter ou operar, ou mesmo opinar sobre sistemas de informação a apenas um grupo da sociedade cria cidadãos privilegiados e retira de todos os outros direitos básicos. Isso é prejudicial a sociedade.

Finalmente, choca a lei ir contra a realidade do mercado e da academia. Em todo mundo software, principal contribuição da informática, é feito por qualquer um. Empresas como a Microsoft possuem em seus quadros milhares de pessoas formadas em áreas não técnicas fazendo tarefas como projeto de produto, testes ou até desenvolvimento. Um dos maiores especialistas do mundo em Comunicação Humano-Computador é um psicólogo. Matemáticos, físicos, engenheiros são nossos aliados constantes na solução de problemas dificílimos. Por que então limitar a atuação no Brasil? Isso é prejudicial a sociedade.

E os impactos práticos? Daqui a pouco veremos leis proibindo o governo de comprar um produto de sofware que não tenha um responsável técnico. Solução: “responsáveis” serão contratados para assinar. Laudos sobre artefatos como o sistema eleitoral não poderão ser feitos por matemáticos que entendem de criptografia, ou por engenheiros que entendem de comunicações ou mesmo por especialistas em segurança, pois são sistemas de informação, e a nós, Analistas de Sistemas, cabe a verdade absoluta!

São esses meus motivos. Certamente pensando mais, encontrarei mais. Até agora não encontrei um único motivo para ser a favor da regulamentação. O mercado regula. Diplomas não regulam, diplomas enganam. A OAB é a maior prova disso: milhares de diplomados não passam em sua prova, e mesmo nos aprovados há os advogados competentes e os incompetentes.

Afirmo que entre os a favor da exclusividade existem três grupos extremamente preocupantes: os políticos que querem votos, os profissionais do sindicalismo e credenciamento e os incompetentes possuidores de diploma, que temem a concorrência. Outros dois grupos, com os quais há possibilidade de diálogo, são os verdadeiramente preocupados com a suposta qualidade oferecida  à sociedade e aqueles que querem apenas se equiparar com os engenheiros e médicos.

A competência é estabelecida caso a caso, pela carreira de cada profissional e não apenas pelo primeiro diploma que possam pendurar na parede.

Regulamentar a profissão pode trazer vantagens em um país cartorial como o nosso. Criar áreas de atuação exclusiva é um desserviço a sociedade e ao profissional.

Comentários»

1. Lucas Arruda - 20/08/2009

Obrigado pelo texto que faz um belo resumo da situação e nos alerta para o problema.

Em tempos aonde até o Jornalismo não precisa mais de diploma, é hora de rever sobre a regulamentação da nossa profissão, até aonde e o que pode ser benéfico para nós e para a sociedade.

2. Ernesto Luis Malta Rodrigues - 20/08/2009

1) Quando você afirma “O diploma é um certificado que você acabou um curso” não é verdade. Diploma é título que confere grau acadêmico, enquanto que certificado se refere a conclusão de cursos de extensão ou pós-graduação lato sensu. O grau acadêmico habilita o exercício da profissão, exceto a área de direito (até onde eu sei…)

2) Quando você afirma “um recém formado é incompetente para ter a responsabilidade técnica por um projeto”, eu, pessoalmente, não concordo. Na IES onde leciono, o nosso egresso é capacitado tanto para atuar como desenvolvedor, analista ou líder de projeto. Acredito que seja esta a visão dos atuais cursos de computação reconhecidos.
Mas é claro que a experiência deve ser levada em conta. Eu não contrataria um advogado recém-formado para defender uma causa de um milhão de reais… mas este advogado poderia pegar esta causa. Também não contraria um egresso meu para assumir um projeto de ERP de uma grande empresa. Para tanto, é desejável ele ser graduado e ter experiência na área.

Porém, concordo que a exclusividade da responsabilidade técnica não é desejável para todo e qualquer projeto de software. Também, a mistura entre sistemas de informação e automação é, ao meu ver, um grande equívoco.

O que me preocupa é toda e qualquer restrição a atividade de computação. Se um engenheiro experiente em robótica desenvolver um software para um determinado hardware terá que “arranjar” um analista para assinar o projeto?

Isto não faz o menor sentido!

3. Paulo Lima - 20/08/2009

Concordo com você. Me espanta esta questão agora. Esgotou. O alerta sobre reserva de mercado em TI, os objetivos de Conselhos Regionais e Sindicatos, etc… A SBC já publicou, discutiu. Enfim, daqui a pouco só poderão escrever e falar os diplomados em Letras. É necessário distinguir as coisas gente… Estou até sem palavras para escrever mais sobre o assunto. Abraço.

4. Pedro Cesar - 21/08/2009

1 – “A lei também generaliza os poderes que dá a qualquer formado. Quantos receberam a formação para fazer simultaneamente sistemas de informação e sistemas de automação? A lei torna igual o que não é igual e infere competências que talvez não tenham sido desenvolvidas pelos profissionais. Isso é prejudicial a sociedade.”

Quando se diz que somente formado em medicina pode exercer a profissão, estamos igualando dermatologistas, cirurgião plástico e pediatras?!?!

2 – “Aprendi com a Prof. Claudia Bauzer Medeiros que manipular a informação, e é isso que fazemos, é um direito de todos. Dar qualquer exclusividade sobre a capacidade de produzir, manter ou operar, ou mesmo opinar sobre sistemas de informação a apenas um grupo da sociedade cria cidadãos privilegiados e retira de todos os outros direitos básicos. Isso é prejudicial a sociedade.”

O Analista é quem deve ser capaz de dizer como essa informação deve ser automatizada. Ele não terá exclusividade de produção da informação, apenas vai definir como ela deve ser tratada computacionalmente, estudamos para isso.

3 – “Diplomas não regulam, diplomas enganam. A OAB é a maior prova disso: milhares de diplomados não passam em sua prova, e mesmo nos aprovados há os advogados competentes e os incompetentes.”

Tem um monte de motorista habilitado que dirige muito mal enquanto muitos dirigem muito bem mas não têm habilitação. Seguindo seu pensamento, vamos acabar com o DETRAN?!?!

Não acho que regulamentar a profissão será um passe de mágica e passaremos a viver no maravilhoso mundo dos profissionais regulamentados. Será apenas o primeiro passo para a valorização profissional, um segundo passo seria os profissionais serem mais éticos e se respeitaram mais, sou filho de médico e admiro o corporativismo dessa classe, nunca via um médico cegar para o paciente e falar mal de um colega.

Informática hoje é casa da mãe Joana, onde profissional de qualquer área chega e mete a mão, salvo honrosas exceções que deram contribuições valiosas. A fama de “enrolado” do profissional de suporte e programadores vem justamente daí porque a facilidade que pessoas de outras áreas têm de “entrar” têm de sair caso façam alguma besteira, voltando para sua profissão e deixando os da informática convivendo com esse desprestígio. É área de teste, é profissão em fase beta.

Realmente não falta emprego, mas já prestaram atenção nos salários?!?! Recebemos na lista de email propostas oferecendo vagas, mas se formos olhar a competência exigida com o salário pago, só falta dizer o local do tronco e quantas açoitadas diárias o escravo terá. Sempre trabalhei como autônomo, porque nunca ganharia o que ganho se tivesse optado pela “segurança” de um emprego.

Não nego os entraves que isso trará, mas somos uma classe que tem facilidade em lidar com mudanças e isso será apenas o primeiro passo.

Marcelo Coicev - 21/08/2009

“O Analista é quem deve ser capaz de dizer como essa informação deve ser automatizada. Ele não terá exclusividade de produção da informação, apenas vai definir como ela deve ser tratada computacionalmente, estudamos para isso.”

Sou engenheiro eletrônico. Também estudei para dizer como a informação deve ser automatizada. Tive aulas de engenharia de controle e automação e de engenharia de software. Muitos analistas de sistemas recém formados não tem a mínima idéia do que seja automação industrial, nunca nem sequer chegaram perto de um CLP, ou sabem interpretar diagramas de instalações elétricas. Como eles podem se responsabilizar pelo que não conhecem?

Quanto aos salários baixos, não se iluda achando que vai ser uma lei que vai fazer a exploração acabar. E sim o profissional saber o seu real valor no mercado e não aceitar a exploração.

André Silva - 21/08/2009

“Muitos analistas de sistemas recém formados não tem a mínima idéia do que seja automação industrial, nunca nem sequer chegaram perto de um CLP, ou sabem interpretar diagramas de instalações elétricas. Como eles podem se responsabilizar pelo que não conhecem?”

A resposta você mesmo ja deu:

“A informática não é uma profissão fim, mas sim aplicada, um meio pelo qual alcançamos, ou tentamos alcançar, os fins característicos de outras profissões. Fazemos sistemas para auxiliar médicos, engenheiros, administradores, políticos, contadores. Esses sistemas devem ser construídos por equipes multidisciplinares.”

5. Hugo Estevam - 21/08/2009

Acho que há uma divergência nesse ponto…“É privativa do Analista de Sistemas a responsabilidade técnica por projetos e sistemas para processamento de dados, informática e automação, assim como a emissão de laudos, relatórios ou pareceres técnicos.”

Muitos estão interpretando que isso trata com igualdade quem és formado em Sistemas de Informção e afins com Engenharia de Controle e Automação. É obviu que isso não ocorre, o fato do termo Analista de Sistemas ser genérico causa confusão, mas o trato para com os sistemas deverá ser específico, ou seja, cada macaco no seu galho.

Segundo o MEC quem se forma em Engenharia de Controle e Automação por exemplo tem o perfil do Engenheiro de Controle e Automação Industrial com capacidade de: utilizar a informática como ferramenta no exercício da Engenharia de Automação Industrial; abordar, na forma experimental, os problemas que se apresentam; operacionalizar problemas numéricos; analisar e ensaiar materiais; gerenciar, operar e realizar manutenção em sistemas e processos característicos da área de habilitação em Engenharia de Automação Industrial; planejar, supervisionar, elaborar e coordenar projetos de engenharia, na área de Controle e Automação Industrial; desenvolver atividades práticas, analisando e interpretando resultados.

Ou seja, ele poderá assinar como Analista de Sistemas, é claro na área de automação. O CREA por exemplo faz isso, regulamenta duas profissões Engenheiros e Arquitetos. Existem projeto que necessitam de assinatura de dois ou mais profissionais, um Engenheiro Civil, Engenheiro Mecânico, Arquiteto etc. Quem trata tudo isso é o CREA.

O pessoal está fazendo tempestade em copo d’água. A figura do programador e do tester não vai desaparecer só por que eles não possuim formação acadêmica, o fato é que o projeto do qual eles participam deverá ter um Analista responsável. Projetos simples poderão ser executados sem essa figura, algo também normal em outras profissões, nem todos os serviços contábeis precisam de um Contador para assiná-los, um técnico em contabilidade pode fazê-los sem problemas, assim como curativo, ingeção etc não são necessários um enfermeiro, um técnico em enfermagem dá conta do recado etc, etc, etc.

6. Antonio Albuquerque - 21/08/2009

Sabe o que é pior que tudo isso que você falou? Ver um cara que se formou em uma área que não é de exatas e ser teu gerente sem ao menos passar por cadeiras de compiladores, arquitetura e organização, I.A, estrutura de dados e …. e ainda achar que pode discutir com você sobre analisador léxico, semântico, arquitetura 32bits ou 64bits e…

Hoje vivemos num mercado sujo e imundo! É preciso de alguma reforma. Acredito que pelos comentários anteriores você obtenha quais seriam as soluções para os seus levantamentos.

7. Roberto - 21/08/2009

Depois de 25 anos trabalhando como engenheiro de automação industrial, agora mais essa. Meu diploma é de engenheiro eletricista, modalidade eletrônica (5 anos de curso diurno). Engenharia de controle e automação é mais um exemplo de como se pode “fatiar o salame” de uma formação extensa com objetivos nem sempre claros.
Pelo comentário do Hugo eu também sou um Analista de Sistemas? Espero que o conselho, sindicato, e sabe-se mais lá quais outras “instituições”, que seguramente serão criadas, não fiquem sabendo. Do contrário vão querer morder ainda mais meu bolso com taxas, impostos ou contribuições decorrentes destas leis estúpidas que se aprovam neste país.
Ê cartório Brasilis…

8. Sandro - 21/08/2009

Hoje em dia, em tempos de revisar todo o desenvolvimento de software (lean, agile, xp, novas mídias, test first, etc) é anacrônico utilizar utilizar a palavra “analista de sistemas”.

O que faz um analista de sistemas? O que é o tal do analista programador? Qual a diferença de um analista programador para um programador? Qual a diferença de um analista de sistemas para um analista de negócios (este sim está claro o seu papel)?

E nossa área … É exatas? humanas? Por favor … Vamo desenvolver software e mandar ver em vez de ficar chorando as pitangas. Nossa área tem fama de “enrolona” não por causa dos aventureiros, mas pela má qualidade e falta de aperfeiçoamento (acadêmico ou não) dos nossos profissionais.

9. Rodrigo - 21/08/2009

Caro colega, seu texto é interessante.. porém eu não concordo.

Veja a profissão de Engenharia.. acontece a mesma coisa, contratam pessoas para assinar. Sou favorável que o nosso setor tenha regulamentação, porém duvido que isso aconteça.

Abraços

10. Eduardo - 21/08/2009

A questão é REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO, por favor, não confunda a competência e incompetência de exercer a profissão.

Se alguém é analista e não tem formação na área, é simples, estude!

Já viu um analista de sistema com formação superiror na sua respectiva na área atuar como engenheiro civil? Médico? Advogado?

A questão é apenas regulamentar, pense nisso.

Não entre no mérito de ser capaz ou incapaz.

11. Ademir - 21/08/2009

Se dependesse dessa lei, o Bill Gates estaria ferrado. Não só ele, mas muitos usuários Windows. Por falar em Windows, como fica um Software Livre? Deverá ter um analista de sistema responsável por ele?

12. Matheus - 21/08/2009

É um assunto delicado. Porém, basta ler os comentários e você verá que poucos concordam. Acho que quem mexe com a área a um tempo devera continuar trabalhando, pois pode atrapalhar na renda de uma família que dependa dele.

Vejamos, temos salários medíocres em relação ao trabalho que exercemos. Pessoas que leem alguns tutoriais na internet, aprendem um pouco como funciona um codigo e acham que sabem tudo. Não é assim, imaginem ai, senão ninguem faria direito, que por sinal, é apenas leitura. Estes apenas baixariam varios tutoriais e estariam por ai, julgando ou advogando.

A regulamentação vai ser um passo para outros passos futuros. Se você não é formado na área, estude! Mostre que é realmente competente.

Sem mais.

13. Gustavo Veronese - 21/08/2009

Eduardo, discordo. Não dá para reduzir o problema a uma “simples” Regulamentação da Profissão em jogo. Pense também que há uma reserva de mercado que vem de “brinde” com a lei e que pode ser extremamente prejudicial ao mercado. Temos um deficit absurdo de profissionais no setor, o que nos custará muito caro mais na frente (já pagamos o preço por isso falta de competitividade no setor). Seria um decisão retrógrada e na contramão do que ocorre no mundo, quando se considera países com tecnologia de ponta. Tenho de diploma de computação e falo isso também porque já gerenciei equipes com ótimos profissionais de outras áreas, construindo software de qualidade no domínio financeiro.
Belo post do professor Xexeo.

14. Leandro - 21/08/2009

Seu texto foi muito bem colocado, especialmente agora que o Projeto de Lei está na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Parabéns.

Minha modesta opinião sobre o tema:

Diploma não é ruim (desde que a universidade não seja uma dessas “enlatadas”). Pós-graduação e outros cursos complementares também são ótimos. O objetivo é APRENDER. Neste caso, a fonte da informação é a universidade.

Mas, quem disse que somente através de uma universidade um cidadão tem acesso à INFORMAÇÃO de qualidade na área de informática? Para ser franco, perdi a conta de quantas noites passei estudando (em casa) enquanto colegas me ligavam no celular perguntando se eu não ia aparecer no boteco da “facul” (deles). E adivinha para quem eles recorreram para ajudar em seus projetos finais? Sou auto-didata, profissional dedicado, atuando e estudando incansavelmente há 15 anos. Portanto, me custa a admitir comparações relacionadas à competência.

Ninguém pode pressupor que uma pessoa com diploma esteja mais habilitada do que aquele que não o tem. É necessário investigar. Encontrar a verdade. Por isso as empresas fazem testes admissionais.

O que o governo quer fazer, na verdade, é fechar os outros caminhos que dão acesso à informação, muito provavelmente, por conta do lobby dos representantes dessa gama de universidades que se prolifera mais do que gente aqui no Brasil. Eles não querem melhorar nada, como sempre. Querem apenas criar mais um “pedágio”.

E também, assim como no caso do jornalismo, me dá a impressão de que as pessoas que estão fazendo faculdade estão se sentindo idiotas, achando que talvez tudo seja uma perda de tempo. Já vi muitas declarações do tipo: “meu diploma não serve pra nada?” ou “por quê eu to ralando para fazer esse curso?”. Santo Deus, é para APRENDER. Mas parece que não entendem. Parecem ter consciência de que estão somente correndo atrás de um pedaço de papel para depois esfregar na cara dos outros, no estilo “carteirada”.

15. Silva - 21/08/2009

Professor, respeito sua opinião sobre o assunto assim como reconheço como válido todos os fatos apresentados concordando que a regulamentação traz ALGUNS malefícios a sociedade. Porém, a regulamentação das demais também o faz. Assim como foi dito pelo nobre colega Rodrigo, também existem engenheiros, psicologos e advogados que apenas assinam projetos e não fazem mais nada. Muitos Engenheiros Civis apenas assinam um projeto enquanto que o mestre de obras é o que realmente conhece a obra. Emfim, também não estou querendo justificar a regulamentação da nossa profissão mostrando a mediocridade que acontece nas demais. Sobre o Analista assinar um projeto que ele não conheça perfeitamente, acho válido. TODOS os profissionais podem assumir cargos mais gerais e responderem por projetos que não entendam perfeitamente. O que o profissional responsavel deve é ter um conhecimento de alto nível de como o projeto irá funcionar. Geralmente um profissional que assina um projeto, não tem o completo conhecimento sobre tudo, ele se apoia em outros profissionais, como um presidente se apoia em seus gerentes.
Concluindo, a regulamentação traz malefícios, porém traz muito mais benefícios. Pense bem, nossa profissão não tem nem sequer um código de ética, que é presente em TODAS as demais. A exigência de um determinado diploma talvez não seja necessário, mas a regulamentação da profissão é.

gxexeo - 21/08/2009

Acho a regulamentação um erro. Todas as regulamentações. Mesmo a regulamentação da Medicina poderia ser resolvida com outros tipos de lei (ligada ao prejuízo a saúde causado pelo falso médico), mas aceito que pode haver exceções.

Porém o que estou lutando arduamente é contra a exclusividade de certos direitos, que não só é ruim em geral, mas está muito mal feita.

16. David Batista - 22/08/2009

Também respeito sua opinião, mas realmente discordo, eu não me arriscaria com um médico sem diploma, se mesmo alguns com diploma não são confiáveis imagine se consultar com um médico que aprendeu o que sabe lendo tutoriais na internet.

A regulamentação pode pecar pela exclusividade, acredito que certos trabalhos poderiam se feitos por pessoas que não possuem diplomas, mas o quanto esses profissionais são confiáveis? Um universitário ao menos teve o trabalho de estudar para finalizar o curso, mas e o profissional que não possui diploma?

Se um profissional é inteligente o bastante para desenvolver um bom software, então não deve ter problemas para entrar na universidade e conseguir o diploma.

Antonio Henrique - 26/08/2009

“Também respeito sua opinião, mas realmente discordo, eu não me arriscaria com um médico sem diploma, se mesmo alguns com diploma não são confiáveis imagine se consultar com um médico que aprendeu o que sabe lendo tutoriais na internet.”

Justamente, se você não quiser contratar um analista ou programador ou qualquer um que não tenha um diploma, simplesmente não contrate.

[]’s

17. Artur Souza - 22/08/2009

Xexéo,

Achei muito interessante o seu post. Apesar de eu ser a favor da regulamentação da profissão, concordo que o texto atual está muito longe de ser útil e pode realmente atrapalhar os profissionais e a sociedade.

18. Marcelo - 24/08/2009

Não é a regulamentação que vai trazer credibilidade à categoria. Muito menos com artigos xiitas como estes. Sou formado em Engenharia Eletrônica, trabalho com sistemas de informação a 15 anos, mas meu cargo nunca foi registrado como Analista de sistemas. Tenho pós-graduação em sistemas de informação, tendo me classificado como um dos primeiros do curso. Pelo contéudo da lei, não seria habiltado a exercer a profissão?
Lembrando ainda dos cursos de pós. As instituições de ensino serão obrigadas a exigir formação em Sistemas de computação para os candidatos aos curso de pós?
Fala sério!
Isso é coisa de quem quer lucrar com a criação dos conselhos…

19. Ricardo Ferreira de Oliveira - 24/08/2009

Prezado Xexeo,

Os diplomas expedidos pela UFRJ (Bacharel em Informática) estão fora da regulamentação?

Abraços

20. Engenharia de Software - 25/08/2009

[…] Opinião sobre a regulamentação com exclusividade, por Geraldo Xexeo em https://xexeo.wordpress.com/2009/08/20/opiniao-sobre-a-regulamentacao-com-exclusividade/ […]

21. Thiago Delgado - 25/08/2009

Há pontos citados interessantes, mas com todo respeito, foi desaguada no texto “uma tempestade em copo d’água”. Regulamentar é preciso sim. Nossa área é extremamente prostituída, tem profissionais extremamente competentes sem diploma, mas a grande maioria “aprendeu fuçando” e agora queima o filme da área. Falo área porque nem categoria temos. Sou a favor que tem está no mercado (há pelo menos 5 anos) sem diploma, que continue e aos demais que se imponha a obrigação de apresentar capacidade técnica (que envolve diploma também).

22. Regulamentação da Profissão de Informáticos | Blog do Vasco - 26/08/2009

[…] podem ser acessados aqui htt. Outra argumentação contrária e bem consistent epode ser encontrada aqui e aqui pelo Coordenador de Pós-graduação da UFRJ um dos melhores cursos de Computação do […]

23. Leandro - 26/08/2009

Existe um grupo criado para as pessoas contra a regulamentação:
http://groups.google.com/group/regulamentacao-nao/

[]’s

24. Pedro César - 26/08/2009

Marcelo disse:

“Sou formado em Engenharia Eletrônica, trabalho com sistemas de informação a 15 anos, mas meu cargo nunca foi registrado como Analista de sistemas. Tenho pós-graduação em sistemas de informação, tendo me classificado como um dos primeiros do curso. Pelo contéudo da lei, não seria habiltado a exercer a profissão?”

Marcelo, no projeto de lei tá claro que quem tem experiência comprovada pode sim, exercer a profissão. Não se preocupe que você continuará exercendo.

25. Leandro - 27/08/2009

@Pedro César, acho que esse é um ponto importante. O caso do amigo @Marcelo.

A própria lei, com toda a sua tosquice e ausência de detalhes (deixando muita coisa no ar), admite que uma pessoa possa vir a ter conhecimento suficiente para atuar como analista de sistemas, mesmo sem possuir um curso superior direcionado à esta atividade.

Eu também me enquadro no mesmo caso e teria meu registro garantido. Contudo, minha preocupação não é comigo e sim com a profissão. Afinal, se o Marcelo, eu, e tantos outros conseguimos essa “proeza”, significa que é viável e aceitável. O governo apenas quer inviabilizar certos caminhos daqui em diante, ao meu ver, os caminhos que fazem circular menos (ou nenhum) dinheiro para os lobistas.

Não tenho certeza, mas, pelo que andei lendo por aí, NENHUM outro país deste planeta regulamentou a área de desenvolvimento de software. E, sendo assim, posso garantir que nenhum irá adotar o “exemplo” do Brasil.

No final das contas, essa medida vai se somar à nossa já monstruosa coleção de entraves burocráticos que não servem para nada.

26. Pedro César - 27/08/2009

@Leandro, se formos nos basear em exemplo de outros países, muita coisa não se adequa. É cultural!!

Não estaríamos usando votação com urna eletrônica, campo em que o Brasil é pioneiro. Entre outras coisas que somos pioneiros, se vai dar certo ou errado, veremos.

Estive na Alemanha e fui a um teatro com um amigo de lá, e como chegamos cedo ele estacionou um pouco mais longe da porta apesar de ter vagas sobrando. Perguntei porque ele não estacionou o carro em frente à porta, já que chegamos primeiro, e recebi a seguinte resposta:

“Justamente porque chegamos cedo temos bastante tempo para chegar à porta, essas vagas serão mais úteis para os que chegarem atrasados pois terão menos tempo.”

Depois fomos a um bar e várias motos estavam na porta (e que motos!!!) todas com a chave na ignição.

Então se for pra seguir os exemplos, você deixaria seu carro ou sua moto na rua com a chave na ignição?!?! Você estacionaria longe da porta para beneficiar quem chegar atrasado? Essa coisa de exemplo é muito relativa porque tem todo um contexto.

Não quero se pedante, mas acho que a regulamentação é necessária para moralizar e dar um maior valor como classe. Não para engessar mas para moralizar, por ordem, ter código de ética e fiscalização.

Posso estar enganado, mas até agora nenhum argumento contra a regulamentação me convenceu.

Abraço

27. Leandro - 27/08/2009

@Pedro César, eu também sou fã de um código de ética e, se possível, uma ação que reduza o número de pessoas que não deveriam estar atuando na área, por incompetência, desprezo, ou qualquer outro mal.

O que vejo de problema é a obscuridade dessa proposta de lei. Como não há definições claras, existe uma excelente margem para interpretações e arbitrariedades. Coisa que o Brasil também é pioneiro.

Pelo conteúdo da proposta, está claro que aqueles que a fizeram desconhecem o assunto e estão tentando “regulamentar o desconhecido”, omitindo detalhes, porque de fato não os conhecem. O efeito colateral disso dá medo.

E não, eu não deixaria meu carro com a chave na ignição🙂

[]’s


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