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Yes, we can´t 07/08/2009

Posted by gxexeo in Opinião, Reportagem.
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Assisti, hoje, palestra do Prof. Lívio Amaral, Diretor de Avaliação da CAPES .  A palestra foi destinada a coordenadores e diretores de pós-graduação da UFRJ. Mostrando bastante conhecimento e competência sobre o assunto, provavelmente por estar envolvido com o processo de avaliação já há algum tempo, foi bastante simpático à platéia, porém pouca esperança nos deu de que as coisas podem melhorar.

Ao contrário do que esperavam alguns, nós, coordenadores fomos muito educados. Eu, pelo menos, recebi uma reclamação que “bati pouco” enquanto fazia minha pergunta. Para completar, por um acaso do momento, não consegui obter minha resposta.

Ao sair de lá e considerar as apresentações e as perguntas sendo feitas, ficou claro que o grande problema é que a avaliação CAPES não existe mais. O que existe é a medida de quantos artigos foram publicados dentro dos estratos do Qualis.

Qual o problema? Bem, de saída incentivar a publicação científica não é nem um dos objetivos da CAPES! Seu principal objetivo é a formação de recursos humanos de alto nível. E alguém já viu o impacto disso na ficha de avaliação?

Todos estão preocupados com o Qualis, e claramente todos estão sendo compelidos a conformar os programas que gerem para atendê-lo. Os cursos novos estão montando seus quadros de maneira pragmática, para obter pontos e serem aprovados. Os cursos antigos estão reorganizando seus quadros, excluindo e incluindo professores, discutindo o que fazer com os recém-contratados e até mesmo, como me foi narrado por uma coordenadora do Nordeste, enfrentando dissidências que acreditam ser capazes de montar um curso melhor avaliado se tiverem menos pesquisadores.

Considerando esse quadro, as questões acabam se resumindo em duas:

Como evitar que os programas de pós-graduação adotem uma abordagem pragmática e orientem sua estratégia de forma a atender as orientações do Qualis, que representam uma avaliação do passado e não uma direção para o futuro? Essa foi minha pergunta não respondida.

Não seria melhor que o Qualis fosse de “tal jeito”? Para essa pergunta, a resposta normalmente foi “Seria, mas é inviável”.

Ou seja, ao contrário de Obama, a CAPES responde “Yes, we can´t”.

Comentários»

1. Carlos - 07/08/2009

Prof. Xexeo,

A obtencao de grants de agencias internacionais sao consideradas pela avaliacao da CAPES?

gxexeo - 07/08/2009

A avaliação CAPES é fortemente dependente das áreas, mas estou supondo que você é de Computação.
A verdade é que eu não sei, já que o Documento de Área ainda não foi divulgado. Porém, deve ter alguma influência na última parte da avaliação, que só vale 10%.
Ou seja, se vale (e um avaliador provavelmente tem o poder de dar alguma pontuação a isso), vale junto com outras coisas que valem todas juntas 10% da avaliação.

2. Carlos - 07/08/2009

Entendi. Obrigado pela resposta.

Eu sou da area de sistemas de informacao, que fica no meio do caminho entre computacao e administracao. Entao, de vez em qd eu sou avaliado pela comissao da administracao; outras, pela comissao da computacao.

Abraco,
Carlos Santos Jr

3. Marcelo - 07/08/2009

“Como evitar que os programas de pós-graduação adotem uma abordagem pragmática e orientem sua estratégia de forma a atender as orientações do Qualis, que representam uma avaliação do passado e não uma direção para o futuro? ”

Eliminar o Qualis.

Trabalho com pesquisadores nos USA e quando vamos decidir onde enviar um artigo, nossa decisão é com base na importância da Conf./Journal para a área e, várias vezes, o resultado não é compatível com o Qualis.

Hoje, por exemplo, quem avalia projetos não deve user o Qualis como ref., pois a lista divulgada não deve ser usada. isso já tem vários meses, desde a última lista homologada que foi trocada pela atual. Como eles estão fazendo ? Se estão usando o Qualis estão se baseando em algo incorreto. Se não estão usando o Qualis quer dizer que existe vida além do Qualis.

4. daniel - 07/08/2009

Eu reconheço que deve ser incrivelmente complexo fazer um processo de avaliação justo. Talvez fosse interessante, em vez de centralizar a qualificação dos artigos, que esta seja feita pelos próprios programas de pós graduação, tendo um representante de cada instiuição, e que sejam levado em conta a qualidade dos congressos e a importancia deles na comunidade academica.

5. Carlos - 07/08/2009

Acho que a avaliacao deveria ocorrer somente por revisores mesmo. Os revisores que criem seus proprios parametros de avaliacao dos pesquisadores/propostas, usando o Qualis com o peso que acharem melhor.

6. uivocrescente - 08/08/2009

Sobre sua pergunta não respondida, quanto mais amplo o conhecimento, mais complicadas se tornam as resoluções dos problemas… parece que segue-se aí uma linha normal: Questionamentos maiores que as respostas quando os problemas que os geram ultrapassam a capacidade de refletir sobre estas.

Interessante saber que apesar da hierarquia no aprendizado, os problemas que o envolve continuam exatamente iguais: “shotgun aproach”!!!

7. Pablo - 08/08/2009

Professor Xexéo,

somente por curiosidade, na palestra, houve alguma indicação de que essa visita do prof. Lívio iria se estender a outros estados do país ?¿

Sds

Pablo

8. Adolfo Neto - UTFPR - 08/08/2009

“até mesmo, como me foi narrado por uma coordenadora do Nordeste, enfrentando dissidências que acreditam ser capazes de montar um curso melhor avaliado se tiverem menos pesquisadores.”

Já ouvi falar, extra-oficialmente, que essa mesma situação está acontecendo aqui num dos programas de Mestrado e Doutorado da UTFPR.

Neste caso, não estaria a avaliação da CAPES ajudando a aumentar artificialmente a quantidade de programas de pós-graduação?

9. profpalazzo - 10/08/2009

Prezados,

Uma das mais famosas músicas gaúchas o “Canto Alegretense” diz: ”Não me perguntes onde fica o Alegrete segue o rumo do teu próprio coração”. Isto vale para as publicações “Não me perguntes qual o QUALIS segue o rumo do teu próprio coração”.

Não adianta discutir com o pessoal da Física, Biologia etc. pois é tudo uma disputa por recursos. Então eles defendem o modelo que é mais vantajoso para eles sem considerar a diversidade cultural das áreas. Precisamos enfatizar a comparação “vertical” com os colegas das diversas áreas (por área) de todo o mundo. Ai veremos que “O Rei está Nú” pois muitas áreas com inúmeros cursos nível 7 não se comparam com a Computação em relação a seus pares internacionais.

Acho que seremos forçados a uma reção como as reações causadas pela Derrama e pelo Imposto sobre o Chá.


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