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O Governo quer menos alunos na pós-graduação do país? 10/04/2012

Posted by gxexeo in Opinião.
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Desde o fim do (des)governo Collor, a pós-graduação brasileira vem melhorando passo a passo. Saímos da penúria para uma razoável distribuição de recursos, como bolsas e projetos. Um projeto específico, o site Periódicos da CAPES, é um marco na disponibilização desses recursos de forma ampla e econômica. Existem problemas, mas são conhecidos e podem ser resolvidos.

Duas iniciativas recentes, porém, demonstram uma falta de contato da “alta administração” da pós-graduação brasileira com as necessidades da mesma e ameaçam esse crescimento.

O primeiro é o projeto “Ciência sem Fronteiras”. Criado como a solução para um problema que não existe, ele incentiva os melhores alunos a fazer cursos no exterior, mesmo quando está claro que existem cursos de qualidade equivalente no Brasil. É um projeto tão “interessante” que não paramos de receber, na Universidade, visitas de delegações estrangeiras atrás de nossos alunos. Eles agora podem “minerar” nossos melhores talentos já na graduação.

O segundo é o novo limite de 8 orientados por orientador imposto pela CAPES em portaria. Não só me surpreende a decisão por um número mágico, como me surpreende que a CAPES não entenda que enquanto alguns orientadores fazem um trabalho 1 a 1 e têm poucos orientados, outros criam estruturas de trabalho que só funcionam com muitos orientados, sendo que 8, nesse caso, é um limite baixíssimo. Certos assuntos precisam ser tratados em “massa”, em “equipe” e agora estão “proibidos” no sistema.

Enquanto o primeiro incentiva o aluno ir para o exterior, o segundo proíbe que aceitemos mais alunos. A manutenção de ambos implicará em menos alunos no Brasil, e não mais alunos, que é o esperado de qualquer política nacional de pós-graduação.

Ambos apareceram repentinamente, foram criados do nada, sem consulta a comunidade, sem perguntar para aqueles que sabem o que é necessário a sua opinião. Ambos surpreenderam todas os Programas de Pós-Graduação. Indicam uma direção impositiva político/administrativa que não é razoável no contexto científico/pedagógico. Burocrata não sabe fazer ciência.

Assim, acha que é melhor formar nosso aluno no exterior e sonha com sua volta, cuja probabilidade é inversamente proporcional a sua competência.

Ainda não foi a pá de cal, mas estamos assustados. Somando a tudo o valor irrisório das bolsas no Brasil e a defasagem do salário do professor, a previsão é desanimadora. Será que ainda podemos reverter esse quadro?

Estamos ficando ultrapassados 24/10/2009

Posted by gxexeo in Idéia, Opinião.
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Estamos preparando nossos alunos de acordo com um paradigma ultrapassado.

  • Pensamos em computadores e algoritmos, PORÉM nossos egressos trabalham com pessoas e processos.
  • Pensamos em preparar pessoas especializadas capazes de aplicações com se detivessem um segredo do universo, programadores míticos, PORÉM qualquer um pode gerar aplicações, basta um pouco de vontade, uma planilha eletrônica ou outros super-meta-aplicativos fáceis de usar, como o Access.
  • Pensamos em bases de dados controladas, modelos de dados construídos, PORÉM os dados estão descontrolados, são criados de qualquer forma em qualquer lugar. Nas empresas, as planilhas se transformaram no padrão de fato de manipulação de dados. Na Web, nem entendemos o que está acontecendo.
  • Pensamos em linguagens de programação do tipo bondage and discipline, PORÉM linguagens libertárias, como Python e Ruby nos provam que podemos ser mais produtivos de forma totalmente diferente.
  • Pensamos em infra-estruturas locais, PORÉM a cada dia a opção “em nuvem” se torna mais economicamente viável e segura.
  • Pensamos em equipes de trabalho pré-organizadas, PORÉM o desenvolvimento de software livre e mesmo nas empresas é cada vez mais auto-organizado.
  • Ensinamos programação em ponto pequeno, PORÉM o verdadeiro problema são os sistemas emergentes que estamos criando.
  • Ensinamos exaustivamente a manipulação de estruturas básicas, PORÉM as ferramentas para manipulá-las estão desenvolvidas e são oferecidas de graça em todas as linguagens modernas, em implementações eficientes. Quando e por que usá-las é o verdadeiro problema.
  • Nosso mundo exige profissionais e pesquisadores “contextualizados”, “personalizados”e “flexíveis” e capazes de trabalhar em ampla gama de tarefas PORÉM uma das nossas principais bandeiras é um currículo padronizado e profissões bem definidas.

Como preparar o profissional de Computação, seja Ciência, Engenharia ou Sistemas de Informação, para interagir com usuários, externos e internos, capazes de gerar quantidades imensas de conteúdo e também de aplicações? Como preparar outros profissionais com a quantidade de exata da Computação que eles precisam?

Como preparar nossos alunos para viver em um mundo onde mudanças paradigmáticas acontecem periodicamente, por causa de poucas pessoas ou empresas? Web, Amazon, Ebay, Google, Facebook, iPhone, Wii, Twitter, Cloud Computing, GoogleDocs, YouTube, Blogs, Wikipedia, PayPal, Google Wave, etc. A cada aplicação, um novo mundo para entender.

Não quero dizer que tudo que fazemos está totalmente errado, mas vejo uma grande semelhança em todas as denominações que damos aos nossos cursos. Vejo  currículos que não fornecem estas respostas, ou melhor, não fornecem nenhuma resposta a pergunta “Porque ensinamos assim”.

Está na hora da Computação estudar a si mesma para poder se entender melhor e, pelo menos, preparar uma postura em relação ao futuro.

Está na hora de currículos mais justificados, baseados em competências, com grande liberdade de escolha para os alunos e permitindo o estudo de outras áreas de conhecimento.

Aliás, ao contrário do que muitos acreditam, um currículo de referência pode ser uma solução errada para a pergunta errada. Estamos em um novo mundo onde a contextualização e a personalização vão dominar. Currículos padronizados não atendem esse novo mundo.

Ao contrário de criar currículos extensos, como o da própria SBC, deveríamos criar patentes, uma variedade delas, que permitissem a cada aluno construir sua  árvore do conhecimento.

Ao invés de padronizar cursos, deveríamos incentivar a inovação e a busca de alternativas. Repetimos o mesmo curso em cada Universidade e nossos alunos tornam-se cópias de cópias de cópias de clones. Todos com os mesmos defeitos e qualidades.

A sensação é que, na ânsia de nos tornarmos uma “ciência séria” estamos nos conformando ao modelo atual e ultrapassado da família física-química-engenharia-matemática e ainda direito-medicina em vez de assumir que a Computação já definiu um novo mundo e que tem que criar uma nova forma de fazer ciência.

Pensamos na Universidade como uma máquina fordista-taylorista e o mundo é just-in-time, customizado, globalizado. Pensamos em médias, mas a inovação está na cauda longa.

Leitura recomendada:

Socialnomics, The World is Flat, The Long Tail, Inteligência Coletiva, Tecnologias da Inteligência,

Habilidades e Currículos 23/09/2009

Posted by gxexeo in Idéia, Quase filosofia.
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Enquanto nos preocupamos em criar currículos de referência, cursos com nomes padronizados e regulamentar a profissão, o mundo muda e oferece cada vez mais e mais variadas oportunidades de trabalho ligadas a Computação.

Convivendo diariamente em uma instituição de pós-graduação em Engenharia, ao meu redor vejo que grande parte dos trabalhos envolve, de uma forma direta ou indireta, o uso de computadores e a criação de aplicações específicas. Em outras áreas, como Educação e Medicina, apesar do efeito não ser tão grande, também é bastante relevante.

Isso me faz perguntar se estamos corretos em nos preocuparmos tanto com limitar o espectro do que é chamado de Computação. Criada entre 1940 e 1950, não possuindo 70 anos completos, a Computação ainda é uma mistura de Matemática, diferentes formas de Engenharia e muitas outras ciências. Tem a característica de ser aplicável em todas as áreas do conhecimento. E dia a dia, com o aparecimento de novas aplicações, fica claro que certamente ainda não entendemos todo o seu potencial.

Se somos constantemente surpreendidos por novas teorias ou aplicações, como imaginar que podemos limitar o escopo da pesquisa, trabalho e ensino na área?

Como exemplo podemos citar apenas duas novidades que apareceram nos últimos 10 anos: software para celulares e as redes sociais. Ainda não entendemos como aproveitar as oportunidades disponíveis, como desenvolver software para esses ambientes e qual o modelo econômico que podemos usar. Não é difícil imaginar umas três ou quatro cadeiras que poderiam ser criadas, em qualquer curso ligado a Computação, para cobrir esse espectro. Outras áreas inexploradas dos nossos cursos são tratamento de enormes quantidades de dados, TV interativa, sistemas ubíquos e, o que mais me preocupa, a próxima onda.

O que proponho é a troca do currículo mínimo referencial para um estudo das habilidades relacionadas a Computação e, a partir dessas habilidades, uma tabela de referência com assuntos e bibliografias. Um conjunto dessas habilidades formariam o núcleo de habilidades computacionais, que seria apenas fortemente sugeridas para qualquer curso que quisesse se dispor a ser certificado pela SBC.

Como exemplo, vou propor uma habilidade núcleo: a capacidade de manipular funções. Essa habilidade pode ser criada de várias formas: o estudo matemático de funções, o estudo de linguagens funcionais,  o estudo de formas específicas de entender funções (como o cálculo lambda). Definir previamente a forma, em um currículo, sem antes determinar as habilidades, provoca cursos padronizados, por isso iguais e incapazes de demonstrar a variedade da Computação.

Não por acaso, existem estudos sobre o assunto de como descrever o conhecimento das pessoas. Pierre-Levy e Michel Authier propuseram o conceito de Árvore do Conhecimento, onde conhecimentos específicos são representados por Patentes e um conjunto de Patentes forma o Brasão das pessoas. Já aqui na COPPE trabalhamos com conceitos como Objetos do Conhecimento e Cadeias de Conhecimento.

Em um momento em que todos querem repensar a Universidade, devemos questionar não só as bandeiras que decoram nossos castelos, mas a própria fundação dos mesmos.

Criar cursos mais flexíveis, baseados no conceito de Habilidades (ou Competências)  pode ser o caminho da inovação e criatividade tão desejados nesse país.

O Erro da Fé no Diploma 21/08/2009

Posted by gxexeo in Opinião.
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Por razões históricas, o Brasil é o país do diploma. O sonho típico da mãe brasileira é que seu filho tenha um diploma e um emprego público, com aposentadoria integral. Quando disse que o diploma é apenas um certificado de fim de curso e que não garante a competência, recebi respostas bastante eloqüentes. Algumas defendiam a visão que o curso do qual participava era bom o suficiente para que seus egressos fossem gerentes de projeto. Outros citavam o fato que o diploma é a habilitação para a profissão.

Ambas respostas estão erradas.

É verdade que, no Brasil, o diploma, para algumas profissões, é a habilitação da profissão. Isso não uma verdade absoluta no mundo ou em nosso país.   Aqui, em especial, a Advocacia exige a prova da OAB e a Medicina exige a residência, agora obrigatória. Na Engenharia e na Psicologia basta o diploma, mas ele exige um mínimo: o estágio obrigatório. E, pelo menos na Engenharia, se discute se isso é válido ou se deveria existir uma prova de certificação. Dizer que o diploma é a habilitação é simplesmente identificar como solução o que eu digo que é o problema.

Mas a minha questão principal é que o diploma não dá competência automaticamente, e muito menos as competências transformadas em privativas na proposta de lei.

Os estudos clássicos de competência a dividem em três características: conhecimento, habilidade e atitude (CHA). Alguns mais novos ainda incluem valor. Um curso de graduação pode oferecer e avaliar fortemente apenas conhecimento. Podemos também incluir alguma coisa de habilidade, atitude e valor, mas devemos aceitar o fato que não temos tempo suficiente para treinar todas as habilidades para as quais fornecemos algum conhecimento e muito menos incutir conceitos de atitude e valor em todos os nossos alunos.

O recém-formado, o diplomado, é preparado para iniciar uma carreira, não é preparado para as atividades mais “nobres” da mesma, apesar de receber algumas “pinceladas” sobre isso. Ele possui conhecimentos incompletos (e por isso os MBA, cursos de extensão e de mestrado estão lotados), habilidades não desenvolvidas e muitos problemas de atitude e valor, até mesmo pela sua baixa idade, imaturidade e inexperiência.

Em um curso típico de Ciência da Computação ele recebe uma gama de conhecimentos básicos de longo prazo e um número razoavelmente restrito de conhecimentos específicos, basicamente tecnologias com prazo de vida, aplicáveis em curto prazo.  Todos estamos cientes  que, após formado, é necessária uma formação continuada, tanto nas questões tecnológicas, para que se mantenham atualizados, quanto em questões de longo prazo, mas para as quais não estavam preparados ou não tinham a maturidade suficiente.

Olhem ao seu redor. A experiência não faz diferença? A capacidade pessoal não é avaliada e recompensada? Não existem profissionais com conhecimentos, habilidades, atitudes e valores diferentes? E o diploma, qual a verdadeira importância disso?

Os argumentos que foram apresentados disseram: um recém formado, pelo poder do diploma ou a qualidade da minha universidade, é capaz de realizar tarefas como gerenciar projetos, providenciar laudos, ser responsável técnico. No mínimo, é um argumento ingênuo.

Eu pergunto, e se ele passou com nota 5,0? E se demorou 10 anos para se formar? E se pulou de faculdade em faculdade procurando o curso mais fácil? E se ele se formou no “pior curso do Brasil”?

A lei proposta, que no Brasil é interpretada de forma estrita, exige apenas o diploma. Ela não analisa o responsável técnico na sua capacidade, mas analisa apenas se ele cumpre um requisito, que pode ser facilmente comprovado por um burocrata qualquer.

Certas coisas não devem ser escritas, não devem virar lei. Nós temos uma prática, nós sabemos reconhecer a competência. Nós podemos discutir facilmente quem é e quem não é competente para praticar as atividades que foram consideradas privativas. Por que, então, criar uma lei que acaba com a discussão e coloca, como solução, uma que favorece a burocracia sobre o bom senso?

Meu ponto é esse: a proposta de lei, que deve ser interpretada de forma estrita, torna iguais os que não são iguais. Perante a justiça e a sociedade uma assinatura de um recém formado passa a valer o mesmo que a assinatura de um profissional com 30 anos de experiência. Ou seja, a lei vai contra a lógica e a prática do mercado e da sociedade. Qualquer jurista diria que isso é um erro.

Por isso, ela prejudica a sociedade.

Opinião sobre a regulamentação com exclusividade 20/08/2009

Posted by gxexeo in Opinião.
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Seguem alguns comentários sobre o parecer aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado  que “…dispõe sobre a regulamentação da profissão de Analista de Sistemas e suas correlatas…”

A única questão importante é o parágrafo único do artigo 4º , todo o resto, confesso, é de pouca relevância: “É privativa do Analista de Sistemas a responsabilidade técnica por projetos e sistemas para processamento de dados, informática e automação, assim como a emissão de laudos, relatórios ou pareceres técnicos.”

Nos próximos parágrafos vou dizer por que essa exclusividade  é ruim, no sentido de prejudicar a sociedade e até mesmo os futuros analistas de sistemas.

A visão cartorial brasileira confunde diploma com competência. O diploma é um certificado que você acabou um curso. Para quais trabalhos um recém formado em qualquer curso de graduação em Informática seria contratado? O mais comum é o de programador. Simplesmente porque um recém formado é incompetente para ter a responsabilidade técnica por um projeto ou sistema. Mas a lei permitirá que sejam, e que só os possuidores do diploma sejam. Isso é prejudicial a sociedade.

Além disso, a lei da exclusividade da responsabilidade técnica para os Analistas de Sistemas. Ora sistemas de processamento de dados, informática ou automação são, em sua grande maioria, desenvolvidos para outras áreas de aplicação que não a informática. Suas principais características não são os laços e decisões, os módulos ou componentes, os modelos e os programas. Sua principais características são os conhecimentos dos domínios de aplicação. Segundo a lei, o único responsável técnica, por imposição da exclusividade imposta, será o Analista de Sistemas. Ou seja, ele será responsável, inclusive perante a justiça, pelo conhecimento fornecido por outras pessoas. Isso é prejudicial ao Analista de Sistemas.

A informática não é uma profissão fim, mas sim aplicada, um meio pelo qual alcançamos, ou tentamos alcançar, os fins característicos de outras profissões. Fazemos sistemas para auxiliar médicos, engenheiros, administradores, políticos, contadores. Esses sistemas devem ser construídos por equipes multidisciplinares. Dar exclusividade da responsabilidade técnica supõe super-poderes do analista. Confiante demais na sua superioridade garantida pela lei, os novos Analistas de Sistemas ficaram em posição incompatível com a necessidade de servir seus clientes. Isso é prejudicial a sociedade.

A lei também generaliza os poderes que dá a qualquer formado. Quantos receberam a formação para fazer simultaneamente sistemas de informação e sistemas de automação?  A lei torna igual o que não é igual e infere competências que talvez não tenham sido desenvolvidas pelos profissionais. Isso é prejudicial a sociedade.

Aprendi com a Prof. Claudia Bauzer Medeiros que manipular a informação, e é isso que fazemos, é um direito de todos. Dar qualquer exclusividade sobre a capacidade de produzir, manter ou operar, ou mesmo opinar sobre sistemas de informação a apenas um grupo da sociedade cria cidadãos privilegiados e retira de todos os outros direitos básicos. Isso é prejudicial a sociedade.

Finalmente, choca a lei ir contra a realidade do mercado e da academia. Em todo mundo software, principal contribuição da informática, é feito por qualquer um. Empresas como a Microsoft possuem em seus quadros milhares de pessoas formadas em áreas não técnicas fazendo tarefas como projeto de produto, testes ou até desenvolvimento. Um dos maiores especialistas do mundo em Comunicação Humano-Computador é um psicólogo. Matemáticos, físicos, engenheiros são nossos aliados constantes na solução de problemas dificílimos. Por que então limitar a atuação no Brasil? Isso é prejudicial a sociedade.

E os impactos práticos? Daqui a pouco veremos leis proibindo o governo de comprar um produto de sofware que não tenha um responsável técnico. Solução: “responsáveis” serão contratados para assinar. Laudos sobre artefatos como o sistema eleitoral não poderão ser feitos por matemáticos que entendem de criptografia, ou por engenheiros que entendem de comunicações ou mesmo por especialistas em segurança, pois são sistemas de informação, e a nós, Analistas de Sistemas, cabe a verdade absoluta!

São esses meus motivos. Certamente pensando mais, encontrarei mais. Até agora não encontrei um único motivo para ser a favor da regulamentação. O mercado regula. Diplomas não regulam, diplomas enganam. A OAB é a maior prova disso: milhares de diplomados não passam em sua prova, e mesmo nos aprovados há os advogados competentes e os incompetentes.

Afirmo que entre os a favor da exclusividade existem três grupos extremamente preocupantes: os políticos que querem votos, os profissionais do sindicalismo e credenciamento e os incompetentes possuidores de diploma, que temem a concorrência. Outros dois grupos, com os quais há possibilidade de diálogo, são os verdadeiramente preocupados com a suposta qualidade oferecida  à sociedade e aqueles que querem apenas se equiparar com os engenheiros e médicos.

A competência é estabelecida caso a caso, pela carreira de cada profissional e não apenas pelo primeiro diploma que possam pendurar na parede.

Regulamentar a profissão pode trazer vantagens em um país cartorial como o nosso. Criar áreas de atuação exclusiva é um desserviço a sociedade e ao profissional.

Estão regulamentando a profissão. 19/08/2009

Posted by gxexeo in Opinião, Reportagem.
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A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania aprovou hoje um parecer que “…dispõe sobre a regulamentação da profissão de Analista de Sistemas e suas correlatas…”

Em seu Art 4º, no parágrafo único diz: “É privativa do Analista de Sistemas a responsabilidade técnica por projetos e sistemas para processamento de dados, informática e automação, assim como a emissão de laudos, relatórios ou pareceres técnicos.”

Pronto! Instalou-se no país do cartório mas uma das besteiras das que nos assolam e que tanto tenho ouvido nos últimos anos. Logo após o Supremo Tribunal Federal acabar com regra semelhante que valia para o jornalismo, o Congresso, de certa maneira em confronto com o STF e não entende as recomendações da SBC.

Lembro a todos: a informática só existe com seus especialistas de domínio e seus usuários. A responsabilidade técnica de um sistema médico pode ficar na mão de um informata? Eu não quero essa exclusividade. Como diria um amigo “Para o mundo que eu quero saltar”.

Eu já escrevi tanto sobre isso que me faltam palavras.

Yes, we can´t 07/08/2009

Posted by gxexeo in Opinião, Reportagem.
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Assisti, hoje, palestra do Prof. Lívio Amaral, Diretor de Avaliação da CAPES .  A palestra foi destinada a coordenadores e diretores de pós-graduação da UFRJ. Mostrando bastante conhecimento e competência sobre o assunto, provavelmente por estar envolvido com o processo de avaliação já há algum tempo, foi bastante simpático à platéia, porém pouca esperança nos deu de que as coisas podem melhorar.

Ao contrário do que esperavam alguns, nós, coordenadores fomos muito educados. Eu, pelo menos, recebi uma reclamação que “bati pouco” enquanto fazia minha pergunta. Para completar, por um acaso do momento, não consegui obter minha resposta.

Ao sair de lá e considerar as apresentações e as perguntas sendo feitas, ficou claro que o grande problema é que a avaliação CAPES não existe mais. O que existe é a medida de quantos artigos foram publicados dentro dos estratos do Qualis.

Qual o problema? Bem, de saída incentivar a publicação científica não é nem um dos objetivos da CAPES! Seu principal objetivo é a formação de recursos humanos de alto nível. E alguém já viu o impacto disso na ficha de avaliação?

Todos estão preocupados com o Qualis, e claramente todos estão sendo compelidos a conformar os programas que gerem para atendê-lo. Os cursos novos estão montando seus quadros de maneira pragmática, para obter pontos e serem aprovados. Os cursos antigos estão reorganizando seus quadros, excluindo e incluindo professores, discutindo o que fazer com os recém-contratados e até mesmo, como me foi narrado por uma coordenadora do Nordeste, enfrentando dissidências que acreditam ser capazes de montar um curso melhor avaliado se tiverem menos pesquisadores.

Considerando esse quadro, as questões acabam se resumindo em duas:

Como evitar que os programas de pós-graduação adotem uma abordagem pragmática e orientem sua estratégia de forma a atender as orientações do Qualis, que representam uma avaliação do passado e não uma direção para o futuro? Essa foi minha pergunta não respondida.

Não seria melhor que o Qualis fosse de “tal jeito”? Para essa pergunta, a resposta normalmente foi “Seria, mas é inviável”.

Ou seja, ao contrário de Obama, a CAPES responde “Yes, we can´t”.

We choose to go to the moon… 29/07/2009

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Eu distribuo um Guia Pragmático para Orientados, que começa com a seguinte citação, tirada do discurso de John Kennedy na Rice University em 12 de setembro de 1962:

“…We choose to go to the moon.

We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard, because that goal will serve to organize and measure the best of our energies and skills, because that challenge is one that we are willing to accept, one we are unwilling to postpone, and one which we intend to win, and the others, too. …”

Esse discurso é a inspiração que precisamos: aceitar o desafio e não adiá-lo.  É apenas um pedaço de um discurso considerado um dos melhores da história. Compare-o com a frase de Winston Churchill citada pelo professor Palazzo: I have nothing to offer but blood, toil, tears, and sweat” . Ambos foram discursos inspiradores. Ambos escolheram o trabalho.

Sempre me pergunto se aqueles que estão fazendo doutorado e mestrado sob minha orientação, ou que estão na sendo examinados em uma banca, escolheram “ir para a Lua”. Muitas vezes a resposta, infelizmente é que não escolheram. Ao contrário, escolheram ficar em terra.

Felizmente, o inverso também é verdade. Muitos escolhem “ir para a Lua”, não porque é fácil, mas justamente porque é difícil. Ou, como acaba o discurso de Kennedy “Because it is there”.

Pautar a vida profissional pelo desafio, tanto na academia quanto na indústria. Mirar “a Lua”, pois ela está lá. Alguns conselhos que eu tenho dar a mim mesmo volta e meia.

Críticas ao Qualis no Congresso da SBC de 2009 28/07/2009

Posted by gxexeo in Opinião.
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O Qualis apresenta várias distorções, algumas discutidas nos artigos “A Escala da Discórdia” da revista Pesquisa  FAPESP e no editoral da CLINICS “O novo Qualis, ou a tragédia anunciada”, outras tratadas no Congresso da SBC.

Talvez a distorção mais grave seja em relação ao uso direto, isto é, sem nenhum tratamento, do fator de impacto. O problema é que o fator de impacto não é igualmente distribuído entre as áreas ou sub-áreas. Assim, um periódico de uma área teórica em computação normalmente terá menor impacto que um periódico de uma área mais aplicada. Isso pode prejudicar (ou beneficiar) fortemente programas onde as linhas de pesquisa já se encontram direcionadas. Essa característica acontece em todas as áreas e é provavelmente a crítica mais importante, pois devido ao uso indevido do Qualis para orientar o trabalho e avaliação das pessoas, como veremos mais adiante, pode, mesmo a curto prazo, eliminar totalmente áreas de pesquisa ou alienar pesquisadores ligados a essas áreas.

Esse problema é difícil de resolver, mas a Área de Computação, em sua proposta ainda não aprovada, conseguiu calcular um índice de correção que visa diminuir essa distorção. Depois de algumas análises, foram escolhidas 3 sub-divisões, cada uma possuindo um índice de correção a ser aplicado sobre o valor JCR de uma publicação da área. É importante notar que esse índice diminui apenas algumas distorções, e apenas na média.

Outra distorção é o fato de que o Qualis sempre olha para o passado, isto é, ele avalia as publicações já feitas. Isso pode ser corrigido pelo Coordenador de Área, que tem o direito de sugerir novos veículos para a lista com a finalidade de induzir a publicação nos mesmos, porém deve ser feito caso a caso. Não é possível adicionar “todos os veículos” na lista Qualis por vários motivos, como a necessidade de existir um fator de impacto, a constante criação de novos veículos e o trabalho necessário.

Uma terceira distorção é o fato do Qualis não considerar a qualidade da publicação. Isso afeta diretamente a base do Qualis como método. Dessa forma, na avaliação Qualis, um bom artigo em uma revista de fator de impacto mediano será sempre avaliado com menos pontos que um artigo simples em uma revista de fator de impacto alto. E ainda assim, estamos confundindo fator de impacto com qualidade, já que podemos encontrar casos onde o fator de impacto não reflete a qualidade acadêmica da publicação ou a profundidade dos seus artigos. Talvez o problema mais discutido no Fórum tenha sido o uso indevido do Qualis na avaliação de pesquisadores, principalmente nas avaliações internas.

Deve ficar claro que ele “foi concebido pela CAPES para atender a necessidades específicas do sistema de avaliação”. O próprio diretor de avaliação da CAPES, Prof. Livio Amaral, disse em entrevista para a Revista da FAPEST: “O uso do Qualis Periódicos é totalmente inadequado na avaliação de pesquisadores. Ele se destina à análise de programas de pós-graduação, e não de pesquisadores individualmente”. Essa opinião foi consenso no último Congresso da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), sendo várias vezes repetidas pelo Coordenador de Área, prof. Edmundo Silva, por membros da Comissão de Área do CNPq, e pela diretoria da SBC.

Em relação a esse ponto, os coordenadores do Fórum levantaram vários questionamentos. Basicamente, os programas são avaliados pelo Qualis, então a tendência é que a avaliação interna de pessoas se dê também pelo Qualis. Os coordenadores passam a se sentir na obrigação de incentivar os professores a publicar em periódicos bem classificados no Qualis, para melhorar a avaliação do programa. Novamente, a mensagem do prof. Edmundo Silva foi: isso é um erro, os pesquisadores devem ser julgados de forma global. Na mesma reunião o Prof. Palazzo afirmou que as avaliações do CNPq são globais. A recomendação geral é que, na avaliação de pessoas, as publicações sejam analisadas quanto a sua relevância. A idéia básica é que se todos publicarem “bem”, resultará que várias dessas publicações estarão no Qualis.

Por outro lado, seguir a filosofia de que o não se deve procurar o Qualis funciona bem melhor para os programas grandes, pois com muitos professores a probabilidade de se publicar em um veículo classificado no Qualis acaba sendo alta. Os programas pequenos, porém, afirmam que se não focalizarem especificamente em produzir para veículos bem classificados no Qualis, acabarão com todas suas publicações não avaliadas. Esse problema é sério, pois mostra o Qualis como indutor de pesquisas, quando ele foi projetado para avaliar o passado e não guiar o futuro.

No extremo, abandonaremos todas as áreas inovadoras ou de baixo impacto, mesmo se importantes. Além disso, como o Qualis usa a média para avaliar o programa (publicações dividida pelo número de professores atuantes), gera uma nova solução matemática para os programas: quanto menor o corpo docente, melhor pode ser sua classificação. Houve relatos importantes de programas onde há questionamento quanto à contratação de novos professores e também programas onde há a tentativa de cisão de um grupo, pois se isolando do programa original faria mais pontos na avaliação CAPES. Isso foi bem descrito por um coordenador que deu o seguinte exemplo: um programa com 10 pesquisadores excelentes faria mais pontos que um programa com 10 pesquisadores excelentes e 10 quase-excelentes, mas provavelmente o segundo seria melhor que o primeiro. Os cursos buscando aprovação inicial, principalmente, têm sido praticamente obrigados a diminuir seu corpo docente de maneira a atingir uma produtividade mais alta, excluindo do processo professores que certamente colaborariam para um curso melhor.

Todos esses problemas não são específicos da Computação. Algumas áreas, por exemplo, não trabalham com periódicos e esperam até hoje a definição do Qualis-Livros. Mas a nossa área ainda apresenta algumas características que nos diferenciam de todas as outras.

Apenas 22 Engenharias? 28/07/2009

Posted by gxexeo in Opinião.
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O Ministério da Educação e Cultura abriu consulta pública sobre dois documentos: um referencial para 22 cursos de Engenharia e uma lista de conversão das denominações antigas para denominações novas.

Antes de opinar sobre a proposta feita, é importante dizer que a própria proposta já nasce de um erro básico: supor que limitar o conceito de Engenharia em um grupo fixo de modalidades é uma boa idéia para o país.

“Ingenerare”, a palavra em latim que serve de raiz para Engenharia, significa “criar”.  Engenheiros criam objetos ou abstrações, como processos.

Apenas para possuirmos uma definição que ilustra nossa opinião, podemos citar o Conselho Americano de Engenheiros pelo Desenvolvimento Profissional, que em 1947 definiu Engenharia como:  “A aplicação criativa de princípios científicos para projetar ou desenvolver estruturas, máquinas, aparatos, ou processos de manufatura, ou trabalhos que os utilizam isoladamente ou em combinação, ou construí-los ou operá-los com total conhecimento de seu projeto, ou projetar seu comportamento em condições operacionais específicas, em respeito a uma função pretendida, economia de operação ou segurança a vida e propriedade”.

Engenharia é um modo de desenvolver, operar e manter, sistematicamente e com base científica ou empírica, objetos ou processos que envolvem, de alguma forma, o engenho humano.

Basicamente, o Engenheiro cria soluções, aplicáveis em várias áreas. Ele usa os conhecimentos de Engenharia como método. A própria divisão da Engenharia em áreas indica que Engenharia não é uma profissão específica, mas uma visão generalizada que pode ser especializada em diferentes áreas de problema.

Limitar a Engenharia a 22 denominações, cada uma com uma especificação restritiva, implica em reduzir a capacidade humana de resolver problemas, congelar no tempo e inibir a inovação.

Ao eliminar as ênfases, a lista erra por desconsiderar a necessidade de especialização. Ao separar cursos em modalidade e ênfase, o objetivo era deixar claro qual a formação do egresso. Eliminar a ênfase significa dar ao egresso, e aos seus “clientes”, a impressão de uma capacitação não-existente e, simultaneamente, não reconhecer sua especialização em um tema de interesse.

Em especial, a lista de 22 denominações já nasce antiquada. Ela confunde, na tabela De->Para o que é Engenharia de Computação com o que é Engenharia de Software.  Ela elimina a Engenharia de Petróleo, que é uma junção de vários conhecimentos e não pode ser classificada unicamente como Mecânica, Química ou de Minas. Ela elimina a Engenharia Hídrica e a Engenharia Sanitárias, confundindo-as com as Engenharias Civil e Ambiental. Ela elimina a Engenharia de Bioprocessos para confundi-la com a Engenharia Química.

Uma das motivações do MEC parece ser a facilitar a avaliação dos cursos. Supondo que as IES brasileiras não possuem um comportamento autista, todos os cursos atuais atendem alguma demanda da sociedade. Tentar enquadrar esses cursos criados por demanda local em um número limitado de Engenharias para atender a capacidade da burocracia de manipular esses cursos é colocar a sociedade a reboque da burocracia, o que é um dos erros conceituais mais graves dessa proposta.

O modelo correto, ao contrário do que esse movimento do MEC indica, é estudar os verdadeiros critérios que caracterizam a Engenharia. Atualmente esses critérios se resumem em currículos básicos que demonstram mais uma vez um visão retrógrada da Engenharia. O que precisamos é discutir quais as verdadeiras características dos Engenheiros, que incluem a capacidade de modelar, criar predições e buscar soluções economicamente viáveis e possivelmente ótimas.

Os esforços que serão gastos na discussão de uma visão intervencionista, burocrática e conservadora poderiam ser bem mais eficazmente utilizados na busca do que são os desafios da Engenharia no século XXI, especialmente frente a realidade brasileira.

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